Como é bonito ver a “fumacinha” saindo do café. O café quente, negro, bem adoçado, na caneca prata. As “fumacinhas” dançam até desaparecer no ar. Na cozinha não há ninguém além de mim. Apenas eu com meu eu, dividindo a bela visão da “fumacinha” do café. As plantas parecem não dar bola para minha presença. Presença silenciosa, pensativa. Os objetos à minha volta estão dispostos como sempre estiveram. Mas parecem tão peculiares nesta manhã. Há um quê de mistério. Os sapatos abaixo de meus olhos apresentam um desgaste nas pontas. Pretos sapatos, macios e confortáveis. Porém, a vontade de não estar usando-os é inevitável. O frio do dia cinza e úmido entra lentamente pela porta, e parece entrar devagarzinho pelas mangas do casaco, das blusas de lã, da camisa, se dissolvendo em instantes. O café lhe tira o efeito, me mantendo aquecido. O estômago dá sinais de fome. Mas não trouxe nenhuma guloseima nem fruta para o lanche. O café, sem sucesso, tenta preencher o vazio da fome. E os sapatos se cruzam para relaxar os músculos da panturrilha. Os olhos estão pesados. Talvez efeito do antialérgico, ou da noite mal dormida. Os ombros parecem carregar o peso do mundo, mas meus pensamentos lembram que não é de todo o mundo, mas do meu mundo, o mundo em que vivo e o mundo que quero construir para mim. O resultado é um desejo incessante por uma prolongada massagem. O café vai acabando. Já posso ver o açúcar acumulado no fundo da caneca. A mão automaticamente se dirige até a cafeteira que enche mais uma vez a caneca. O relógio se move mais depressa que o desejado, e a hora de voltar ao trabalho se aproxima. O sol timidamente começa a clarear o dia cinza, tentando diminuir a excessiva umidade causada pela longa chuva da noite. Mais um gole de café, seguido de outro mais longo. Esboço versos de uma canção: “posso estar só, mas só de todo mundo. Por eu ser só um…”, seguida de um assovio baixinho. “Isso lá é bom, doce solidão”. Doce solidão da manhã gelada. Nunca a solidão foi tão bem preenchida. Eu, comigo mesmo. Que companhia agradável. Aqui sou notado, sou o centro das atenções, sou compreendido, estou bem acompanhado, de quem gosto e gosta de mim. Melhor do que estar entre amigos e nem se quer ser notado. Melhor por poder expor exatamente aquilo que me vem na mente. Como o fato de olhar para o adoçante sobre a mesa e refleti-lo. O adoçante. Gotinhas de uma água doce. O relógio já se moveu o bastante e eu preciso voltar ao compromisso. Levanto e limpo rapidamente a caneca. Já não há mais fumacinha do café, já não há permissão para lamentos e nem mesmo reflexão. Despeço-me e volto à pressão diária, sucumbindo a vontades alheias, sabendo que pouco se importarão com as minhas.
Arquivo da categoria ‘Reflexões’

Tome a iniciativa você também!
24/07/2009Vou atacar de videozinho do YouTube de novo. Ando meio sem inspiração. Aliás, inspiração eu até tenho, mas num tenho tempo para expressá-la em palavras, e publicá-las. Dessa vez eu só queria dizer que apesar de muitas vezes nos encontrarmos desanimados, cansados, e pronto para dizer chega, sempre há um ponto de força interior que nos impulsiona a seguir em frente. Se não for por nós mesmos, nos apegamos ao impulso alheio, tomando-o como exemplo, para que possamos enxergar que somos mais fortes do que aparentamos.
Mas podemos também impulsionar os outros com nosso bom humor, disposição e espírito guerreiro.
Esse é só para provar que a alegria contagia!!!

Quando você menos espera
23/07/2009Tem vezes na vida que vamos levando, tranquilos, julgando estar tudo bem… Quando de repente, alguém vem e nos mostra que não é bem assim…

Desenvolva seus dons
22/07/2009Após passar pelo blog de meu nobre amigo Tadeu, fiquei bastante impressionado com a sua habilidade com as palavras, usando de um vocabulário rico e culto. Sabe fazer-se entender, expressa bem suas ideias, tem sempre boa opiniões. Não tenho todo esse dom, mas gosto de escrever. Não uso de peculiaridades na hora de me expressar. Bem que gostaria, mas acredito que a simplicidade também seja válida. Já ouvi dizer que os limites do homem são os limites da sua linguagem. Porém,penso que com minha singela forma de escrever posso ser compreendido por todos, sem muito a pensar e interpretar. Só que é ruim para alguém que fará da argumentação o seu ganha pão. Se bem que penso que para convencer basta ser plausível, coerente e analítico. É que há certas coisas que se explicam com palavras exclusivas, sem analogias. Outras podemos explicar com um simples exemplo. [sim, um pouco confuso]
O fato é que o Tadeu Marcon tem um dom: expressar em palavras aquilo que sua mente “carpinta”. E não de forma simples, mas poética, clássica, bonita. Um dom bem trabalhado, com certeza. Afinal ele estuda, não deixa de consultar o dicionário quando tem dúvidas, além de ler bons livros, o que sempre enriquece o vocabulário e faz com que, ao falar, encontremos as palavras mais apropriadas.
Ter um dom e desenvolvê-lo é algo tão glorioso. Como um músico, um dançarino, um escritor. Pensando nisso, fiquei com uma pulga atrás da orelha. O Tadeu exerce seu dom lendo, escrevendo, estudando… enfim, praticando. Assim como jogadores de futebol, que treinam diarimente. Como é será que esse cara do vídeo abaixo faz para exercitar o dom dele? E pior ainda: como é que ele teve a ideia de desenvolvê-lo, isto é, como descobriu que tinha esse dom?!
Blog do Tadeu Marcon

Voltando aos poucos…
12/07/2009É, faz tempo que não escrevo aqui, no meu humilde blog. E não é por falta de vontade não, mas sim por falta de tempo. O último semestre tem me exigido muito: os estudos, o trabalho. Foram noites e noites indo dormir uma, uma e meia, duas horas da noite. Não ia além porque no outro dia estaria muito cansado para tabalhar. Por isso tive de deixar de lado o meu blog, para cair de cara em doutrinas de Direito, em obras de Durkhein, Weber, Marx, além de leituras de Filosofia. Não foi fácil, mas a recompensa veio. Não como eu desejava, mas além daquilo que conseguiram meus colegas que, diferente de mim, ainda não acordaram para a realidade, achando que a faculdade é uma extenção do ensino médio. É muito mais que isso.
Apesar da forte dor de cabeça, resolvi sentar diante do teclado, e escrever algumas coisas. Gosto muito de leitura, e adoro escrever, mesmo que aqui, sem ninguém ler. Aliás, ninguém não. Minha namorada lê. E foi ter passado o fim de semana com ela que me fez escrever este artigo. Em meio a muitas preocupações e angústias, existe uma pequena que me escuta, que me entende, e que me dá todo o apoio que preciso. Uma Marina linda, com rostinho de boneca, e aquele sorriso mágico.
Então, vou iniciar mais um título:
Uma tarde no parque
Abri os olhos e ouvi minha namorada me dizendo: “Olha que dia bonito Jhony!” E eu pensei: claro, acordei olhando para essa coisa linda! Sol, um friozinho ameno, e disposição para um passeio. Eu sabia que ia ser bom, apesar da depressão domingueira de sempre. É… eu não estou mais tão disposto assim para o trabalho.
Veio a tarde, e com ela a queda de temperatura. Ia ficando cada vez mais friozinho. Ótimo para um chimarrão no parque, sentado na grama, deixando o tempo passar, conversando, olhando o movimento, comendo algodão doce. Me faz um bem enorme poder sair e esqucer certos problemas, certas incomodações. E serve para ver que há muito mais motivos para me sentir feliz do que abatido.


Tarde boa. Tarde revitalizante. Momentos que fazem a gente se sentir melhor, mais alegres. E mais tristes também. Karl Marx afirma que o trablaho aliena as pessoas, porque as pessoas não se reconhecem mais naquilo que produzem, e vêem a felicidade se dando fora do ambiente de trabalho. São sábias as palavras de Marx quando define a forma de trabalho no sistema capitalista. O fato é que não tenho mais sentido tanto prazer no trabalho. E em um domingo véspera de segunda-feira não é nada animador.
Não sei se é algo comigo mesmo, se é algo externo. Mas um sentimento de anomia ne rodeia. Me sinto sem perspectivas, sem motivações. Espero que seja algo passageiro, que seja algo da minha cabeça, somente. Porque eu quero ficar de inteiro feliz em uma tarde de domingo, como a de hoje. Poder estar com as pessoas que eu gosto, como na tarde de hoje, fazendo coisas que eu gosto, como na tarde de hoje. Nada como um algodão doce para adocicar o fim de tarde.

É pensando na bela tarde que tive que pretendo conseguir forças para não desanimar. Por um instante me imaginei no “Show de Truman“, e vejo que devo sair um pouco da rotina, parar de ser lavado pelas ondas do destino e eu mesmo criar o MEU. Chega de ser um Truman, chega de ficar reclamando ao vento da má sorte. Eu sei que de tudo eu posso tirar proveito e uma boa lição. Hoje eu tive a prova disso: tenho saúde, tenho potencial, tenho emprego, tenho família, tenho uma namorada excepcional, tenho bons amigos, tenho uma vida inteira de sucesso, realizações e glória pela frente. O que eu não posso é ficar parado me deixando abater por conflitos existencias. Até porque amanhã é segunda, e não virão me perguntar se eu quero ficar um dia em casa, dormindo, descançando e ouvindo música. Amanhã vão me cobrar serviço e disposição.
Até porque, sempre que fizeres o melhor, sempre vão te exigir melhor ainda. Não adianta. Pessoas só brilham porque almejam sempre a perfeição. E eu não posso perder tempo. Porque a vida perfeita eu já tenho. Agora é só botar em prática minhas potencialidades. Nada como uma tarde de domingo no parque para dar novo ânimo na vida. Coisas simples que fazem da gente pessoas melhores.


ADD
07/09/2008
No dia 19 de agosto, tive a oportunidade de participar de uma bela palestra motivacional, intitulada “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”, apresentada por Esteven Dubner, membro da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), órgão que é mantido com a finalidade de auxiliar deficientes físicos do mundo inteiro, graças às brilhantes palestras de Esteven e da ajuda de empresários e de quem se dispõe a contribuir financeira ou voluntariamente com a causa.
Esteven deu uma linda lição de vida ao mostrar a todo o público presente que nós, “andantes” (como ele nomeia), temos de agradecer todos os dias por todas as nossas faculdades e possibilidades de ir e vir. Através de vídeos ele nos mostrou, com histórias reais de superação, que nem mesmo uma deficiência física é capaz de tirar a alegria e a vontade de viver e encarar desafios. É o que venho afirmando nos meus artigos publicados aqui neste blog: temos a felicidade que precisamos nas mãos, e para sermos felizes só devemos nos a ela. E as pessoas que vimos nos vídeos mostrados por Esteven são o maior exemplo disso.

Professor Esteven Dubner
Em um verdadeiro show, o palestrante falou sobre nossa impotência diante dos pequenos problemas, que tornamos em um monstro. Muitas vezes esquecemos de lutar um pouco – pelo menos um pouco – para superarmos as adversidades da vida. E ao contrário disso, de forma errada, nos lamentamos mais e mais. Devemos levar a vida menos a sério, devemos nos entregar mais aos prazeres da vida, vivendo cada momento intensamente. Porque cada momento de nossa existência é uma dádiva, é um presente. Temos todos os recursos necessários para uma vida digna e feliz, só devemos saber usá-los. E encontramos esses recursos a nossa volta. O problema é quando fechamos os olhos para aquilo que está diante de nós. O pior cego é aquele que não quer enxergar. A maior deficiência do ser humano esta no coração, em fechá-lo para as alegrias que a vida tem a nos oferecer. Read the rest of this entry ?

Ler também é um exercício
31/08/2008
Não é de hoje que se ouve falar na importância da leitura em nossas vidas: nos estudos, na nossa comunicação, na forma de nos expressarmos, nos conhecimentos que ela nos proporciona. Porém, quanto mais se fala da importância de ler, menos se vê pessoas lendo. Com as evoluções tecnológicas, as pessoas têm acessos a informações de forma mais rápida, e não lêem mais, pois afinal, é muito mais fácil assistir algo pronto e emitido em linguagem simples do que perder tempo lendo. Muito mais fácil assistir televisão do que pegar o jornal e ler as notícias. É muito melhor assistir a novela do que ler a manchete referente às novas e absurdas aprovações do Senado. E o problema se concentra aí: no fato das pessoas absorverem idéias alheias e não formarem as suas próprias.
No jogo de interesses que vemos na mídia, o que as emissoras de televisão querem é atrair a atenção dos espectadores, dando ênfase a alguns assuntos considerados relevantes e menos importância a outros, por – na concepção da emissora – serem considerados de menos valor. Aí você assiste, e aquela idéia é a que entra na sua mente. Você, sem perceber, acaba por concordar com aquilo, pois não te instiga ao pensamento. Na leitura, porém, você tende a raciocinar, você entra no assunto, pois tem de se concentrar, o que faz com que além de você absorver a idéia, reflita sobre ela.
Essas afirmações podem ser contraditórias se pensarmos que bons livros também podem fazer lavagem cerebral nos leitores. Mas, apenas nos simples leitores, e não nos verdadeiros leitores, descontentes com o pouco, sedentos de mais leitura, mais informação, e mais conhecimento e reflexão. Read the rest of this entry ?

A felicidade não tem preço
17/08/2008
Baseado no livro “As melhores coisas da vida são de graça”, de Todd Outcalt.

Livro de Todd Outcalt
Quando repetimos ou ouvimos aquela velha frase que diz “dinheiro não traz felicidade”, logo pensamos que é um chavão bem ultrapassado, meio bobo. Será o reflexo de um mundo cada vez mais capitalista ou a comprovação de Maquiavel quando diz que o homem é um ser ávido de lucro? A resposta pode ser encontrada nas duas opções. Mas é em algo em que as pessoas não observam e não dão importância que está o grande sentido da vida e os grandes momentos de alegria, satisfação e felicidade. O dinheiro em nossa vida é essencial, importante, pois querendo ou não ele nos mantém vivos. Mas, só ele não nos dá a vida, precisamos do algo a mais, que temos diante de nossos olhos, mas que insistimos muitas vezes em não observá-lo.
Augusto Cury já dizia que o dinheiro compra uma bela cama, mas não o descanso; compra presentes para uma mulher, mas não o seu amor. E é fato. O dinheiro é importante sim, pois compra o nosso alimento, que nos mantém vivos. Mas, ele não nos proporciona a verdadeira felicidade, aquela que é sentida nos gestos mais singelos da vida, e nos faz perceber que perdemos tempo ao nos preocupar demais em ter, do que em ser, em sentir. Read the rest of this entry ?

Dia do amigo
20/07/2008
312/2006 - A melhor
Estive pensando, refletindo sobre valores, sobre a minha vida e meu futuro, sobre meu passado, sobre meus problemas, e me questionei: o que eu seria se não tivesse os amigos que tenho? Provavelmente eu seria um nada. Aliás, eu seria um nada mesmo. Porque a amizade é um valor, um bem, uma dádiva tão importante na vida da gente. Precisamos dela como ao ar que respiramos.
Essa necessidade de se ter amigos se dá pelo fato de sermos seres humanos, que precisam se relacionar, trocar informações e conhecimentos, além de dependermos um dos outros. Só que em uma amizade essa dependência é diferente, tem um sentido bonito, baseada em fidelidade, em amor, em valores morais da mais alta nobreza. É a troca de sentimentos recíprocos à pessoa que estende a mão quando nos vemos em apuros, que nos fornece o ombro para nos lamentarmos e que ri junto conosco quando estamos felizes.
Um amigo é o que procuramos quando estamos necessitando de uma força. Amigo… O que significa ser um amigo, ter um amigo? Uma palavra tão simples, tão comum aos nossos ouvidos, mas que possui um significado tão importante para nós. Que significado é esse? Qual a proporção da importância? É só lembrarmos da última crise que tivemos, e a quem recorremos. Tudo fica mais fácil, não?!

Motivo de força maior
19/07/2008As coisas não dão certo e começa o desespero. Sonhamos com algo, e quando não vem, é como um balde de água fria despertando-nos de um sono profundo, de um sonho gostoso que se tem em uma tarde chuvosa de inverno. É como se não houvesse mais saída, e aquilo tudo que se quer, se perde. Parece que não conseguiremos mais; parece que a nossa chance foi pelo ralo.
Só que esquecemos de que as coisas nem sempre acontecem conforme desejamos e sonhamos. Nem tudo nessa vida é como um conto de fadas, e é aí que pecamos, quando muitas vezes não sabemos como lidar com a realidade nua e crua. Pecamos ao nos deixar abalar ao invés de levantar a cabeça e sermos persistentes e otimistas. Esquecemos de que há muito mais a se comemorar do que se lamentar. Há uma vida toda pela frente, há muitos sonhos a serem realizados, e a muitas conquistas já realizadas até então. Não estamos onde estamos por acaso, acredito eu. Mas estamos em tal situação por força de nossas atitudes e por força de algo maior que nós, algo que não podemos ver e nem de fato provar cientificamente sua existência. Read the rest of this entry ?

Jerônimo
12/07/2008Jerônimo. Um rapaz de dezoito anos, esforçado, bem humorado, brincalhão. Trabalha em uma fábrica de calçados, ganhando seu mísero salário. Os estudos deixou pra trás, onde os sonhos se perderam na realidade e no cansaço de uma vida dura e injusta. Ambições, tem mil… Mas um certo comodismo lhe tomou o espírito de homem mundano, que segundo Maquiavel, é ávido de lucro.
Apesar das dificuldades de morar em um lugar humilde, de ter um trabalho duro, um salário injusto, Jerônimo chega a ser, muitas vezes, até chato, de tanto que brinca com os colegas e as pessoas que o rodeiam. Alguns perdem a calma com ele. Mas ele se mantém o mesmo, ora revida a altura, ora revida com outra brincadeira. Resumindo: Jerônimo é um rapaz alegre, que ri até da própria desgraça.
Só que, em um dia, Jerônimo não tinha mais aquela malevolência moleca no olhar. Estava quieto, sereno, olhar fundo, semblante digno da mais nobre empatia. Não era o Jerônimo que todos estavam acostumados a ver. E havia um motivo para sua tristeza e serenidade.Um dia antes, seu avô, pessoa com quem ele dividia o lar, falecera, de forma muito rápida, repentina. Ele já estava doente, passando por maus momentos em uma cama de hospital. Uma isquemia cerebral o abatera, e ele estava apenas com seus órgãos vitais a funcionar, esperando para que parassem e o fim da vida terrena fosse decretado.
No dia da morte de seu avô, Jerônimo pôde se ausentar do trabalho. Porém, no outro dia, deveria estar e esteve lá, para cumprir sua função e realizar seu trabalho desgastante. Quieto ele trabalhava, com o olhar perdido, meio de choro, mas sempre sério. Não pude deixar de expressar minha palavra amiga ao cara que sempre aperta bem firme a minha mão ao me cumprimentar. Ele comovido me agradeceu, e eu saí com o sentimento de ter feito tão pouco perto da dor da perda de Jerônimo.
Dor que passava ali, diante de uma esteira cheia de sapatos. Não podia nem estar junto a sua família naquele dia difícil, no dia seguinte à morte de uma pessoa tão presente na sua vida, que até mesmo morava com ele. Devia trabalhar, segundo manda a lei, segundo a regra trabalhista. Sua tia (filha do falecido) teve dois dias para ficar em casa e se recuperar da dor. Também é muito pouco diante de uma perda tão relevante.
E aí se pensa: como as coisas são injustas. O sentimento foi completamente esquecido por parte dos superiores do atelier de calçados (apelidado, carinhosamente, de presídio). Poderiam eles dar mais um tempo para que Jerônimo pudesse descansar, refletir e buscar as forças de que precisava. Nem quero falar da lei. Não quero entrar em uma nova discussão. Porém, fico triste por não haver bom senso por parte da fábrica de calçados.
Então Jerônimo se recupera da dor da perda de seu avô, pessoa com quem dividia a intimidade, pessoa tão querida por ele, entre os sapatos da fábrica de calçados onde trabalha. Recupera-se com um salário ridículo que sempre atrasa. Recupera-se tendo de aturar a arrogância das pessoas com quem divide o espaço. Recupera-se com o desgaste físico.
Jerônimo. Um rapaz de dezoito anos, que vive a dor da perda de uma pessoa tão querida, e que tenta recuperar o brilho do olhar moleque e brincalhão, entre uma e outra brincadeira meio disfarçada da tristeza estampada em seu rosto.

Mania de perseguição
06/07/2008
Sabe aqueles dias em que você acorda e parece que o mundo está contra você, ou que você não está se encaixando nele? Hoje o dia foi assim. Acordei com aquela sensação de não estar agradando, de estar sendo um chato. Sensação de que tudo que faço é errado, ou, que não está certo.
Dá vontade de sumir, ou de ficar bem quetinho, ouvindo aquela música melancólica tocar, sem exboçar reação nenhuma. A cabeça gira, as coisas não se encaixam, e tudo parece ser difícil. Nem mesmo Bob Maley é capaz de levantar o astral. Até pode levantar, mas, por pouco tempo.
A situação piora quando se está com dor de cabeça, febre, mal estar. Aí sim o dia fica uma merda. Não dá vontade de fazer nada, porque o corpo dói. Tomar remédio até ajuda a “amenizar” a dor física. E a dor física é até mesmo pouca perto da confusão mental. O fato é que uma leva a outra.
E qual a solução prá isso? Depois de um dia ruim, eu descobri. A receita é a seguinte: fale com aquela pessoa especial, marque um cinema, tome um bom banho relaxante, perfume-se, e vá ao encontro dela. E você verá que quando a pessoa tão desejada se aproxima, o humor já muda. Não digo que você deixará de sentir emoções e sensações estranhas, mas, elas ficam amenas e as vezes imperceptíveis quando você tem quem gosta do seu lado.
Poder conpartilhar um momento de alegria, contemplar um belo sorriso e expressar o sentiemnto “àquela” pessoa é tão bom. Sentir o seu abraço de ursa então… é demais, relaxante. É o remédio prá qualquer mal do coração e da mente. É tão surreal que dá vontade de cantar, e o pai Bob volta a ser o bom e velho “levantador de astral”. Como é bom sentir a positive vibration da minha pequena. Maravilhoso…..
Mas então, chego em casa, e vejo que a gripe derruba, e sentir a falta dela (a pessoa tão especial) mais ainda. E, como o tempo é crucial em nossas vidas, espero pelo dia de amanhã, prá poder me sentir bem de novo. “Eu preciso do dia de amanhã, acordar de manhã em um novo dia…!“. E ir tomar aquele chimarrão tão saboroso.
Só ela prá salvar o meu dia……..

Tempo
06/07/2008
Essa vida, sempre apressada, nos faz pensar no tempo. Há tempo para tudo, dizem, mas estamos sempre tentando recuperar o tempo perdido. Se o coração aperta, pedimos umtempo. Se a dor chega, só o tempo cura. Se a saudade bate, voltamos no tempo… Queremos viver em um novo tempo.
Para nossas realizações, queremos tempo recorde. Para nossas lembranças, bons tempos… Para os nossos sonhos, stempo de sobra. Para o próximo ano, tempo de ser feliz.
Pensar no tempo é também pensar na espera que se cria em torno dele. E espero o quanto precisar, com ansiedade, não nego, mas… espero, por aquele abraço de ursa reanimador e que me faz seguir sempre com coragem nessa vida.