
Pelas ruas da cidade
03/08/2009Ele caminhava com as mãos no bolso, e a cabeça meio baixa. O passo meio cambaleante e os olhos perdidos. Não sabia o que olhar primeiro. Olhava as vitrines, mas não via nada lá dentro. Ah, via, mas não assimilava. Apenas olhava. Quando deu-se conta, estava a olhar uma vitrine de lençóis e edredons. Uma senhora o olhou estranhamente. Mas deve ter pensado que ele estava a escolher um presente para a mãe, e tornou a conversar com sua amiga em um sotaque alemão tradicional na região. Ele sentiu-se estranho mas continou a caminhar. Olhava as ruas, as calçadas, reparando cada pedra que a formavam, suas regularidades e irregularidades. Pessoas entravam e saiam das lojas. Pessoas se esbarravam na calçada. Alguns muito bem vestidos. Outros nem tanto. Outros totalmente cafonas. O vento soprava suave e ele não sabia se sentia frio ou calor. Mas continuava a caminhar, com uma pasta debaixo do braço. Por um instante esquecera que estava em horário de serviço, entrou em uma loja e pediu à atendente se ela tinha Bamba para vender.
- Bamba? Eu acho que nem fazem mais Bambas para vender. Mas eu tenho esse aqui!
- Não. Esse é de futebol. Eu quero um Bamba. Obrigado.
Na saída da loja, dois homens decididamente mal encarados, segurando várias latinhas de regrigerante cortadas pela metade, com uma espécie de canudinho, caminhavam na mesma direção que a sua. Ele olhou as latinhase logo afirmou para si: “latinhas para fumar crack!”. Pensou que os caras que fumam crack fazem tudo pela droga, inclusive assaltam rapazes bem vestidos com dinheiro no bolso. Era o caso dele. Melhor andar mais rápido, esquecer o Bamba e voltar ao trabalho. Até porque estava com dores nas pernas. Não é normal rapazes da minha idade terem dores nas pernas. E eu como banana. Seguia apertando mais ainda o passo, e sentia suas costas começarem a suar.
Enquanto caminhava, ele pensava nas aulas de Sociologia, ao ver toda aquela gente se movendo, se relacionando, consumindo, comprando, rindo, falando, trabalhando, a pé, em seus carros… Fatos Sociais! Mundo capitalista, racionalismo exagerado gerando burocracia. Ele vivia do mundo burocrático. Trabalhava autenticando atos-fatos das pessoas, pedindo-lhes provas sobre suas vidas, quem era, se eram realmente capazes de praticar tais atos-fatos. E quanto será que custa um Bamba? Vonte, trinta reais? Sentiu-se desolcado. Sentiu-se alheio ao mundo. Só queria chegar em casa, escutar um álbum do The View e relaxar. Mas Sebastião não consegueria. Não até encontrar seu tão sonhado Bamba. 
Como o garoto descasca as bananas que come?
saisaijsaijsa
Ah! O Jhony e sua Conga!