
País do futebol
02/08/2009
O futebol é uma paixão nacional. O Brasil, como todos bem sabem, é conhecido como o “país do futebol”. Não há uma família que não possua uma bola de futebol em casa. Mesmo que feita de meia. Mas num deixa de ser uma bola de futebol. Eu, inclusive, adoro futebol. E não há crise mundial que empeça torcedores de irem ao estádio prestigiar o seu time de coração. Sim, muitos são declarados nascidos torcedores de seus times. Pode haver um motivo claro para a paixão pelo futebol: diversão e dispersão, desviando a mente para algo contrário à violência, à fome, ao desemprego. Ver o time jogar é mais interessante do que discutir as soluções políticas para os problemas vigentes.
Vejamos bem: é comum vermos uma roda de homens escalando o time para a próxima rodada, criticando o esquema tático e apontando soluções. Mas não vemos pelas ruas pessoas questionando a “escalação” dos nossos representantes, o “esquema tático” que usam e nem apontando as soluções para os problemas que se mostram de forma tão escancarada e escandalosa. Mal e mal acompanhamos com seriedade tais problemas, e se o time Política vai mal, lamentamos, criticamos, cruzamos os braços e sentamos domingo na frente da TV para ver mais um jogo do Brasileirão.
A diferença é que quem define quem jogará pelo time que torcemos é o técnico e ponto final. Na política, porém, somos nós quem definimos quem irá atuar no Congresso. Além disso, a atuação dentro do campo de futebol nos vale um momento de alegria. Aí lembramos que segunda-feira temos de voltar ao “batente”, recebendo um salário incompatível, correndo o riso de sermos abatidos pelo desequilíbrio da economia. Na política, nossa alegria poderia perdurar durante todo tempo se escolhêssemos de forma consciente os nossos representantes, fôssemos atrás de nossos ideais e cobrássemos de quem colocamos no poder.
Mas ao invés disso, preferimos sentar no sofá e escutar as baboseiras do Galvão Bueno. Fazemos o inverso daquilo que nossa Constituição proclama: um Estado Democrático de Direito, onde “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (CF, artigo 1º, parágrafo único). Temos o poder de interferir no poder, inclusive diretamente. Já falei neste Blog que elites, como estudantes universitários, poderiam tomar a frente e organizar movimentos de pressão contra a corrupção e afins e pela luta de assegurar nossos direitos. Mas é utópico pensar que teria apoio para isso. Por incrível que pareça, alunos universitários são os mais acomodados, pois dispõem de uma boa situação financeira – não é o meu caso, mas não posso reclamar: apesar de não viver no luxo, tenho tudo o que preciso para uma vida digna. E que fique bem registrado aqui.
Conclui-se que o brasileiro prefere opinar sobre algo que não tem controle (o futebol) do que algo que tem (ou deveria ter) total controle: a Política. Isso porque podemos reclamar, esbravejar, culpar um técnico e onze jogadores, mas as mudanças vão depender do técnico e dos onze jogadores. Apesar das críticas e da preocupação dos brasileiros não influenciarem na vida esportiva, continuam as pessoas a se preocuparem mais com isso do que com o próprio futuro. Porque é ruim der te sair de casa para ir até a Câmara Municipal discutir política. É mais fácil assistir os Indianos na Novela das 9h e ficar até meia noite e meia acordado, nas quartas-feiras, assistindo o jogo. Assim o brasileiro se distrai, não se preocupa com problemas grandes – porém encarados como pequenos – correndo o risco de o time ganhar e ainda elevar a auto estima de bom torcedor.
É. Melhor ser o país do futebol do que o país da corrupção. Porém, enquanto os brasileiros continuarem sendo
políticos de sofá e se preocuparem cada vez mais com a escalação do Dunga do que com o caso do Sarney, a corrupção prevalecerá, veremos milhares de pessoas morrendo nos pronto-atendimentos, e teremos a cara de pau de reclamar da segurança. O brasileiro gosta de reclamar e criticar, mas não gosta de agir. A não ser que seja para ir ao estádio de futebol para prestigiar mais um grande clássico. Enquanto isso, o Sérgio Morais continua se “lixando” para a opinião pública.

Sérgio Morais - Se lixando para opinião pública
AH,Maravilha!
Parabéns Jhony, essa aqui foi ótima.