Era um sábado normal, como todos os outros. Mas era normal para todo mundo, menos para mim. Eu ainda vivia uma fase de transição. Uma transição benéfica. Só não havia me habituado por completo ainda, me sentia fora do rumo a qual eu tinha me habituado. O dia estava frio, com um tímido sol querendo ora surgir, ora se esconder. Mas eu estava animado, com frio, sem frio, chuva, sol, para ir até o clube (Soges) e ver meus amigos jogar futebol pelo Barril Júnior. Cheguei lá cedo da tarde, meio perdido, sem nenhum conhecido para conversar, até que encontrei o Adrian.
Ficamos conversando, assistindo ao jogo. Aliás, metade do jogo, porque quando cheguei já estava no fim do primeiro tempo. O placar marcava 4 a 1 para o Barril, que, de forma desastrosa, deixou que o fraco time oposto encostasse no placar, terminando o jogo em 4 a 3. Pelo menos haviam ganho. Pensei que eu tivesse dado azar a eles, porque quando eu cheguei, tomaram dois gols. Mas pensei: “ainda bem que não vim mais cedo, porque se não teriam tomado uns cinco”.
Eu e o Adrian conversamos por um longo tempo, até ele sair com umas amigas, e eu fiquei porlá, meio zonzo, perdido. Mas eu estava em uma fase de “foda-se”, só queria levar a vida mais sossegado e sem estresse, sem ficar me incomodado com o passado, e muito menos vir a me preocupar no futuro. Só queria aproveitar um pouco do tempo que perdi na companhia dos amigos. E era isso que eu ia fazer naquele sábado que começava a ficar cada vez mais gelado.
Lembro que era a primeira vez que eu usava minha jaqueta verde, minha favorita. Paguei muito caro por ela, e tinha até pena de usá-la. Teria que ser usada em uma ocasião muito especial. Só que antes de sair de casa fui tomado por aquele tipo de pensamento salvador do mundo, do tipo: “todo dia, toda hora é uma ocasião especial”. Vesti a jaqueta, pus um perfume e “fui-me”. Meu pai me levou porque eu não me animava muito em sair sozinho de carro. Pelo menos com o do meu pai não. Foi uma fase de desentendimento entre mim e o Monza 89 do “velho”.
Pois bem. O Barril saiu de campo com a vitória, e isso era um bom motivo pra comemorar. E tratando-se de Barril, se comemora com cerveja e mais cerveja. Entre toda a gurizada, eu era o único (creio) que não jogava futebol. Já havia jogado com aquele pessoal, mas por causa de lesões nos dois joelhos – como se essa fosse a única causa, excluindo o fato de eu jogar mal pra caralho -, abandonei o bando e me dediquei a prática de ouvir música. Pelo menos nesse esporte que pratico o risco de me lesionar é bem menor. Por falar em música, estava eu, com meu mp4 nos ouvidos, durante grande parte do tempo. E isso fazia com que eu batesse no chão com meu All Star branco (meu favorito) o tempo todo, no ritmo da música. E a cerveja começou a rolar solta entre a galera. As fichas pras cervejas até hoje eu num sei certo de onde vieram. Talvez tenham sido pagas pelo Wilson, ou então pelo irmão do Edd. Não sei mesmo. Só sei que me ofereceram e eu não recusei. Bebia timidamente aquela gelada cerveja, porque fazia tempo que eu não bebia pra valer. E da forma tímida, fui passando pras fases seguintes, que nem sei se tem nome.
O meu grande amigo ali era o Roberth. Amigão mesmo, e fui lá na Soges para conversar com ele, e aproveitar o sábado com ele. E com ele, tomei muita cerveja aquele dia. As cervejas deveriam ser tomadas em conjunto, de forma amigável. Até porque eu nem sabia quem estava pagando. As fichas vinham eu não sei de onde, mas eu acompanhava o Roberth até a copa para pegar as cervejas. Tomávamos metade lá na copa, e voltávamos com a outra metade para dividir com o resto do pessoal. Coisa de pau no cu! Mais pau no cu era quando eu pagava alguma cerveja e não levava lá no pessoal para dividir, e pelo contrário, tomava com o Roberth, às escondidas. Nós estávamos tirando vantagem dos próprios amigos. Nem sei por que se faz isso. Mas naquele momento, já meio “alegrinho”, eu só queria era ficar podre de bêbado. Read the rest of this entry ?
