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ADD

07/09/2008

Associação Desportiva para DeficientesNo dia 19 de agosto, tive a oportunidade de participar de uma bela palestra motivacional, intitulada “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”, apresentada por Esteven Dubner, membro da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), órgão que é mantido com a finalidade de auxiliar deficientes físicos do mundo inteiro, graças às brilhantes palestras de Esteven e da ajuda de empresários e de quem se dispõe a contribuir financeira ou voluntariamente com a causa.

Esteven deu uma linda lição de vida ao mostrar a todo o público presente que nós, “andantes” (como ele nomeia), temos de agradecer todos os dias por todas as nossas faculdades e possibilidades de ir e vir. Através de vídeos ele nos mostrou, com histórias reais de superação, que nem mesmo uma deficiência física é capaz de tirar a alegria e a vontade de viver e encarar desafios. É o que venho afirmando nos meus artigos publicados aqui neste blog: temos a felicidade que precisamos nas mãos, e para sermos felizes só devemos nos a ela. E as pessoas que vimos nos vídeos mostrados por Esteven são o maior exemplo disso.

Professor Esteven Dubner

Professor Esteven Dubner

Em um verdadeiro show, o palestrante falou sobre nossa impotência diante dos pequenos problemas, que tornamos em um monstro. Muitas vezes esquecemos de lutar um pouco – pelo menos um pouco – para superarmos as adversidades da vida. E ao contrário disso, de forma errada, nos lamentamos mais e mais. Devemos levar a vida menos a sério, devemos nos entregar mais aos prazeres da vida, vivendo cada momento intensamente. Porque cada momento de nossa existência é uma dádiva, é um presente. Temos todos os recursos necessários para uma vida digna e feliz, só devemos saber usá-los. E encontramos esses recursos a nossa volta. O problema é quando fechamos os olhos para aquilo que está diante de nós. O pior cego é aquele que não quer enxergar. A maior deficiência do ser humano esta no coração, em fechá-lo para as alegrias que a vida tem a nos oferecer.

Para mim a palestra foi interessantíssima, pois concordo com Esteven. Concordo e me sinto um ser tão pequeno diante dos deficientes mostrados nos vídeos, ganhando medalhas em paraolimpíadas e se superando a cada dia. Vivendo!, no sentido literal da palavra. Não estão aqui apenas para preencher um espaço, mas para fazer a diferença e serem felizes.

E eles são a diferença. Enquanto muitos os avaliam como “coitadinhos”, eles provam que de coitados não têm NADA. Coitados somos nós, com dois braços, duas pernas, toda integridade física e mental e passamos a vida a nos queixar, a nos preocupar com futilidades e em TER. Ter, ter… ganhar, possuir. E viver, ser, sentir? Isso os deficientes de Esteven fazem como ninguém. Vivem a vida de forma alegre, apesar de tudo. E nós, passamos os dias nos preocupando e nos estressando, encarando a vida como algo monótono. Ou você nunca se queixou da sua vida? Nunca acordou e disse: “droga, tenho que ir ao trabalho!”? Duvido que não. Duvido que nunca tenha dito: “minha vida está uma merda”.

Falta-nos tesão e prazer no que fazemos. Se tivéssemos esses dois elementos, não teríamos do nos queixar. Porque, por mais árdua que possa ser nossa tarefa, se a fazemos com entusiasmo, seremos muito bem recompensados, além de termos poupado, na sua execução, tempo de estresse. Para quê se estressar com pouco perto do muito que temos para nos alegrar? É como Esteven disse; recebemos mil beijos em um dia. Mas quando tomamos um tapa, este se sobrepõe aos mil beijos, que são tão bons. Por que isso?, ele pergunta, e eu questiono também. Não podemos nos deixar levar por pequenas coisas e nos abater por elas. Devemos nos alegrar como belo em nossa vida. Não é um problema que deve nos abalar. Não é um erro que deve nos envergonhar, pois afinal, errar é humano. Todos devemos nos permitir ao erro, corrigi-lo e aprender com ele. E foi isso que me levou a escrever esse artigo.

Ao chegar ao trabalho na quarta-feira pela manhã, com muito sono e meio desligado, me deparei com situações novas, diferentes, as quais eu não estava acostumado. Cometi alguns erros, por falta de atenção. Erros ponderáveis para quem estava aprendendo. Aprendendo a lidar com uma situação totalmente nova. Eu estava tranqüilo. Eu sabia que aprenderia muito com aqueles pequenos erros. Mas, meus colegas não, meus colegas acabaram por debochar de mim. E eu, pecando, acabei por me contradizer, pois fiquei chateado com isso, embora não tenha demonstrado. Talvez eles não entendam por não terem visto aquelas lindas cenas da palestra, ou pelo fato de viverem sempre se cobrando muito, não se permitindo errar, e conseqüentemente, não permitindo que as pessoas a sua volta errem. Ou… nada disso. Somente um deboche normal de todas as pessoas dessa sociedade triste. Triste sim, pois as pessoas cada vez mais esquecem de sua felicidade.

Senti-me mal, sim, me senti. Mas agora me sinto melhor, porque isso não me abalou, a não ser naquele breve momento. Pelo contrário, estou cada vez mais tranqüilo, porque aprendi que não vale a pena me estressar por pequenas coisas. Nem mesmo as grandes merecem tanta atenção e estresse. Devemos encará-las, mas não nos entregar a elas. E se errarmos, o mundo não termina. Devemos levantar a cabeça e seguir em frente.

Pena que nem sempre as pessoas a nossa volta se permitem errar e aprender com isso, sem nem admitir erros. Pena que as pessoas se preocupem mais com a imagem que transmitem do que com a sua VERDADEIRA imagem. É como diz meu amigo Dudu, em seu blog: “tire o pano preto de seu manequim”, mostre sua verdadeira face, e se permita ser feliz, com amor no coração, com empatia, com entusiasmo e otimismo. Se tu se permitires ser feliz, não terás o que temer quando tirar o pano preto de sua verdadeira face, pois ela será uma face sorridente, bonita, feliz!

Esteven e sua turma de deficientes sabem muito bem disso, e, apesar de não terem o corpo perfeito, são lindos, pois são felizes, pois transmitem essa felicidade a todos nós, nos dando exemplo, e, por ora, nos envergonhando. Eu admiro Esteven e sua turma.


Equipe de natação paraolimpica Brasileira

Equipe de natação paraolímpica Brasileira

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