
Ler também é um exercício
31/08/2008
Não é de hoje que se ouve falar na importância da leitura em nossas vidas: nos estudos, na nossa comunicação, na forma de nos expressarmos, nos conhecimentos que ela nos proporciona. Porém, quanto mais se fala da importância de ler, menos se vê pessoas lendo. Com as evoluções tecnológicas, as pessoas têm acessos a informações de forma mais rápida, e não lêem mais, pois afinal, é muito mais fácil assistir algo pronto e emitido em linguagem simples do que perder tempo lendo. Muito mais fácil assistir televisão do que pegar o jornal e ler as notícias. É muito melhor assistir a novela do que ler a manchete referente às novas e absurdas aprovações do Senado. E o problema se concentra aí: no fato das pessoas absorverem idéias alheias e não formarem as suas próprias.
No jogo de interesses que vemos na mídia, o que as emissoras de televisão querem é atrair a atenção dos espectadores, dando ênfase a alguns assuntos considerados relevantes e menos importância a outros, por – na concepção da emissora – serem considerados de menos valor. Aí você assiste, e aquela idéia é a que entra na sua mente. Você, sem perceber, acaba por concordar com aquilo, pois não te instiga ao pensamento. Na leitura, porém, você tende a raciocinar, você entra no assunto, pois tem de se concentrar, o que faz com que além de você absorver a idéia, reflita sobre ela.
Essas afirmações podem ser contraditórias se pensarmos que bons livros também podem fazer lavagem cerebral nos leitores. Mas, apenas nos simples leitores, e não nos verdadeiros leitores, descontentes com o pouco, sedentos de mais leitura, mais informação, e mais conhecimento e reflexão.
No curso de direito, o qual sou estudante, a leitura tem um papel extremamente relevante. Tem o papel principal, em um curso onde se estuda leis escritas, tomadas de conceitos, princípios e teorias; num curso onde se abrangem assuntos sociológicos, filosóficos, políticos, jurídicos; onde a palavra é um poder, e saber usá-la de forma adequada é o rumo para se fazer valer o que se defende, através de uma boa argumentação, capaz do convencimento alheio de idéias próprias. A argumentação é tão fundamental, pois fazer-se compreender se dá pelo bom uso da palavra. E quem sabe usar bem a palavra, pode ir e vir, pois além de se fazer entender, compreende o mundo a sua volta.
E o que mais me entristece é o fato de eu ver um imenso número de acadêmicos do curso de Direito pouco importados em fazer o bom uso dessa grande arma – no bom sentido da palavra. Alunos que desejam tanto o sucesso profissional como advogados e deixam esse sonho escorrer pelas mãos por preguiça de ler. Por
acomodação.
Leio cerca de duas horas por dia, e acho que ainda leio pouco, diante da concorrência que enfrentarei no futuro, diante daquilo que desejo saber. Só que essas duas horas são muito perto do nada, de colegas que com orgulho afirmam que não lêem. E usam essa justificativa pelas baixas notas das provas, achando que estão “agradando”, ou que isso é normal. Normal lá na escola pública de ensino médio, que não cobra dos alunos. Mas o mundo exige cada vez mais do ser humano. Do ser humano que anseia por seu lugar ao sol.
Por que é tão chato ler? Por que é tão dificultoso tomar um pequeno tempo para ler esse artigo? Por que ler é considerado perda de tempo, se é um ganho de conhecimento tão grande? Meu professor de Constitucional diz que aprendemos realmente e absorvemos melhor as informações através da leitura.
Quando eu trabalhava no atelier de calçados e, ao conversar com algum colega, pronunciava alguma palavra mais formal, era motivo de espanto. Logo falavam: “olha o doutor falando”. Eu ficava espantado e triste. Não eram palavras que só pessoas com diploma de doutorado pronunciam. Eram palavras que todos teriam condições de pronunciar e compreender se não fosse o comodismo de querer aprender. Pois as pessoas se acomodam, não procuram mais conhecimentos, não lêem para adquirirem conhecimento.
Aí vemos maus eleitores, desinformados, pagando o alto preço por isso. Vemos pessoas tendo de se acomodar com empregos de baixa renda. Vemos pessoas conformadas com sua própria ignorância. Não é a toa que o Brasil tem a fama que tem, de uma população analfabeta, inculta. Muitos fatores apontam para o fato de as pessoas não lerem. A falta de tempo, por ter de largar os estudos e trabalhar para ajudar no sustento da família; a preocupação em botar comida na mesa, dispensando o hábito da leitura. Só que eu vejo colegas com tempo, sem passar fome ou qualquer tipo de necessidade, e, por simples preguiça, não lêem. O pior é que, pelo fato de estarem em uma universidade, se acham “os” cultos.
Quem tem o hábito de ler, de estudar, de apreciar um bom livro, sabe do que falo, sabe da importância e da diferença que isso faz. Hoje eu consigo me expressar melhor, sem dificuldades em encontrar as palavras mais adequadas, pois leio, pois tornei a leitura um hábito prazeroso. A leitura engrandece, estimula o leitor à reflexão, à imaginação, ao sonho, e a real representação do mundo.
Se leste este artigo até aqui, parabéns. Tiveste paciência de ler e trocar alguns minutos de novela por uma leitura. Enquanto lia, você concordou ou discordou, pensou a respeito do que escrevi, e esse é o caminho certo. Refletir, formar opiniões, trocar idéias, evoluir em conhecimento. Leia, cresça, evolua, aprenda e faça a diferença. O conhecimento é um bem valioso que ninguém tirará de você. Cultive-o sempre. Se apaixone pela leitura.
“As estrelas brilham no escuro”.
Parei, li, refleti, e conclui que esse foi o teu melhor texto! Adorei Jhony! E tive que concordar contigo, ler é algo tão importante, que muitos não se ligam para isso.
É lendo um texto como o teu que se percebe a riqueza de um vocabulário e o modo claro de expor suas idéias, isso graças a teu bom hábito de ler.