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Movimento Estudantil

16/08/2008

Em meio ao caos político em que vivemos em nosso país, na aula de Direito Penal II o professor ressaltou uma das possíveis soluções para diminuir ou mesmo erradicar a roubalheira que ocorre no senado em Brasília. Juntei o que ele disse com o que ouvi do professor de Constitucional I e cheguei a algumas conclusões, minhas, de minha mente.

O professor de Penal lamentava o fato de os movimentos estudantis não existirem mais, na luta contra a corrupção e a favor de um país mais justo. Ressaltou a falta de idealismo da juventude brasileira, acomodada e alienada em relação aos assuntos de maior importância, totalmente ligados à vida de todos nós.

O professor de Constitucional, porém, não falou diretamente do movimento estudantil, mas sim do fato de nós, alunos de direito, termos o dever de cidadãos em deixar a acomodação e passar a defender as cores dos nossos ideais, representando a sociedade como um todo na luta contra os problemas de nosso país. Em suma, devemos nos movimentar em prol da sociedade, em prol de nossos direitos serem cumpridos, de exercermos a cidadania e soberania, segundo reza a Constituição Federal de 1988.

Mas isso me levou a uma conclusão decepcionante quando olhei para o lado e vi bocejos por parte de meus colegas, totalmente despreocupados e acomodados, até mesmo conformados com nossa situação política. Mas, é claro, não são todos. Muitos se indignam, mas não tem o apoio de seus colegas para fazerem algo. Eu sou um desses indignados. Por mim eu pintaria a cara e lutaria pela justiça, pelo fim da corrupção e erradicação de uma sociedade nada cidadã. Porque os brasileiros não são cidadãos. Aliás, são!, mas são cidadãos de sofá (como afirma o professor de Constitucional). De sofá, pois preferem assistir a novela ao acompanhar o desenrolar dos escândalos em pauta no Congresso. De sofá, pois só lembram de serem brasileiros na Copa do Mundo de Futebol. E ainda se a Seleção estiver bem, pois basta ser desclassificada nas quartas de final para o povo se rebelar.

Enquanto o pessoal prefere não dar bola para a política, afirmando que não tem mais jeito, inúmeras mulheres se tornam prostitutas para manter o sustento; milhares de jovens entram para o mundo do tráfico e por conseqüência na criminalidade. E fazem isso porque querem ter o mesmo conforto do aluno universitário. Querem ter um tênis “maneiro” igual ao playboy da universidade, que é o responsável pelo recrutamento de novos traficantes. Quer ser igual ao aluno que está “fodendo-o” com sua omissão imprópria. Sim, pois futuros operadores de Direito deviam fazer a frente, criar o tal movimento estudantil que existia a anos atrás e reclamar e procurar explicações para a vergonhosa situação política do Brasil.

Eu reclamo de meus próprios colegas, e nada faço, a não ser escrever esse desabafo. E aqui está o ponto onde quero chegar. A acomodação é tanta que se eu resolver iniciar um movimento estudantil, fazendo frente, o restante da universidade vai me chamar de otário, de idiota, rirão da minha cara, da minha “ingenuidade”. Porque preferem se preocupar com a nova contratação que o Manchester United vai fazer do que com a vergonhosa aprovação de eleição dos políticos que tem a “ficha suja”. Preferem encher a cara numa festa do que discutir de forma madura sobre o que fazer para isso mudar.

Sem perceber, a alienação dos jovens acaba retornando a eles. De que forma? Nos assaltos que sofrem, no aumento do preço da gasolina, no aumento do preço da comida, na falta de presídios, o que acarreta um grande número de criminosos livres, ao invés de cumprirem suas penas, entre muitos outros fatores.

É muito mais fácil se rebelar contra o técnico da Seleção do que com o político corrupto. Porque me rebelar contra o político corrupto se eu não vivo na favela passando fome? Pra que eu vou perder meu tempo com algo que não me atinge em grandes proporções? E esse tipo de acadêmico será o futuro político corrupto, que com seu egoísmo “foderá” ainda mais com nosso país.

É lamentável ver um grande número de pessoas cursando um curso tão importante e tão bonito apenas pelo retorno financeiro. É lamentável não poder contar com os colegas para saber pelo menos os porquês dos problemas de minha cidade. É lamentável saber que meu pai não consegue se aposentar por conta de uma lentidão no sistema jurídico, abarrotado por escândalos emergentes na política. E meu pai, que a vida inteira trabalhou honestamente nada recebe em troca. A vida inteira pagando impostos altos para o Estado que não fornece uma segurança adequada, uma educação adequada, uma vida adequada a nós brasileiros, que vivemos presos em nossos próprios lares, nos defendendo, nos protegendo.

O que tenho a fazer é me acomodar mesmo. Estudar, aprender com tudo isso, com essa situação, ter esperanças e um dia, quando eu estiver lá, formado, com um certo poder nas mãos, iniciar uma luta contra isso tudo que tanto me revolta. Pois me revolta mesmo o fato de escolher políticos para representar o povo e o povo ser o maior prejudicado. Revolta-me não poder confiar em nenhum candidato. Revolta-me não ter apoio para fazer isso mudar. Entristece-me ver tanta gente passando frio e fome por causa de centenas de pessoas que se abarrotam de futilidades, rindo da cara de todos nós. Isso mesmo, eles cospem em todos nós, e nós ficamos parados, conformados, cuspidos.

Os jovens estão cada vez menos idealistas, e cada vez mais capitalistas. Querem mais dinheiro, apenas, e esquecem que o dinheiro deles está sendo bem usado em capitais para os seus representantes. Representantes que nem se quer lembram se votaram ou não, tamanho descaso. Descaso com seu bem precioso, o dinheiro, que escorre ralo abaixo em impostos abusivos. Talvez se pensarem no fato de a política interferir na sua conta bancária, eles se preocupem mais e votem com mais consciência. E não só votem, mas cobrem de seus representantes.

Vemos inúmeros jovens se reunirem para assistirem o jogo de seu time, para comemorar um título ou protestar contra maus resultados; vemos milhares de jovens se aglomerarem para celebrar um show de rock. E por que não vemos um grande número de jovens se reunirem para mudar suas próprias vidas, para melhor…? Estou tentando achar a resposta.

2 comentários

  1. A preocupação maior é descobrir se é a Donatela ou a Clara a mulher malvada da novela “A Favorita”.
    Programação exite pra manter você na frente, da tevê.
    Quem lembra do Renan Calheiros? Sabiam que ele foi absolvido? Ninguém liga. Tá todo mundo sendo robado e fica estaminado.
    Eu sinceramente tô com um nojo dos candidatos a prefeito da minha cidade. Ambos os lados passam por mim com um sorrisinho amarelo e me cumprimentam.
    Cara, nenhum nem o outro jamais veio falar comigo, pedir o que eu espero do mandato deles quando estiverem no poder. Os malditos nem sabem meu nome mas passam abanando quando eu to sentado na mesa do barzinho que fica na entrada da cidade. Abanam para “a juventude votante.”
    Sou votande. Voto em branco.


  2. ” Eu reclamo de meus próprios colegas, e nada faço, a não ser escrever esse desabafo. E aqui está o ponto onde quero chegar. A acomodação é tanta que se eu resolver iniciar um movimento estudantil, fazendo frente, o restante da universidade vai me chamar de otário, de idiota, rirão da minha cara, da minha “ingenuidade”.” Pegando esse trecho do desabafo do companheiro Jhony, é que começo meu comentário. Na verdade companheiro, iniciar um novo movimento estudantil é no mínimo ousado, pois não sei se é do seu conhecimento, mas existe desde 1937 uma entidade estudantil nacional que representa e luta junto com os estudantes, esta se chama UNE União Nacional dos Estudantes. Bom você deve estar se perguntando o pq deu ter tocado no nome desta entidade, e a resposta a essa pergunta é simples…Porque é esta entidade que participou ativamente do Moviemtno Diretas Já, que encabeçou o Movimento Fora Collor e que mais recentemente promoveu um dos maiores congressos estudantis dos últimos anos contando pela primeira vez com a participação de um Presidente da República, e confesso que mesmo tendo um grande número de estudantes universitários me frustrei bastante com as reclamações de diversos colegas universitários devido a acomodação e a omissão da luta estudantil dentro das universidades. E é por isso que eu afirmo que somos nós quem devemos colocar o bloco na rua, dar a cara a tapa, pintar nossos rostos e gritar por mudanças e não esperar que o Prefeito fale conosco quando ele bem entender como o companheiro de cima disse, é por isso q devemos nos integrar a UNE, formando os CAs, os DAs e os DCEs em nossas universidades, é por isso que não devemos só ” meter o pau” na forma como as pessoas tratam de política, DEVEMOS AGIR, você concorda? E acima de tudo devemos entender que generalizar dizendo que a juventude do Brasil não está nem aí pra política e nem aí pra sociedade em que ela vive, é no mínimo inusitado, porque eu te garanto que os mais de 10 mil alunos presentes no último congresso desta entidade sabem sim o porque de lutarem contra essa sociedade capitalista, contra a corrupção, a favor de uma educação pública e de qualidade, a favor da tão necessária reforma universitária e tantas outras modificações de extrema necessidade para o avanço do nosso país! Portanto, deixo aqui a minha sugestão, para que ao invés de , como você mesmo disse, nada fazer procure conhecer a UNE e levantar a ” bunda” (com o perdão da palavra) da cadeira e começar as mudanças dentro da sua universidade e dentro do seu curso, montando um diretório acadêmico que entoe as vozes de quem realmente se encontra indgnado com a atual situação política, social e cultural do país.
    Abraços e caso queira responder a este comentário, se preferir mande para o meu email: carolina_rabelo4000@hotmail.com
    ou pode responder aqui mesmo!!



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