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Sebastião em uma Sexta a noite

16/08/2009

Sexta-feira é um dia dividido em alegria e cansaço. Alegria por mais uma semana que chega ao fim, e o cansaço de toda uma semana corrida. Para Sebastião não foi diferente. E o pior é que ele se sentia mais cansado do que feliz. Não que não fosse feliz. Estava passando por uma ótima fase. Só que o que mais queria era poder aliviar a dor nas pernas que sentia. Tanto que, ao chegar em casa, logo deitou no sofá, esticou as pernas e suspirou aliviado. Sua mãe chegou perto e gentilmente começou a tirar seus sapatos, mas Sebastião recusou, dizendo que ela não precisava fazer aquilo, e que deveria ocorrer ao contrário. Ela nem deu ouvidos, dizendo a ele que ela fazia aquilo com maior prazer, já colocando s pantufas no lugar dos sapatos pretos que Sebastião usava.

Após fazer um lanche, atendeu a ligação de um amigo que o convidava para sair, dar uma volta, conversar e aproveitar a última sexta antes do reinício das aulas. Apesar do forte cansaço, e de ter alguns compromissos no sábado pela manhã, aceitou o convite dos amigos. Afinal, ao iniciar as aulas, Sebastião não se daria o luxo a saídas nas sextas, nem nas quartas, nem dia algum. Portanto,  após um banho relaxante, Sebastião pediu o carro ao pai, ligou o som, curtindo um bom e velho ACDC, e pé na tábua.

Foi até a casa do amigo, que já o esperava, e depois passaram para pegar o resto da  turma. O resto correspondente a mais duas pessoas. E lá se foi o quarteto rumo ao bar jogar uma sinuca. O bar não é bem um bar, é um lugar propício a sinuca, pois só o que tem lá são inúmeras mesas de sinuca, e um monte de gente jogando. Apesar de se comportar, ele pensava se era prudente sair assim, afinal tem namorada, a respeita muito e ama demais. Jamais deseja magoá-la. Mas eu não vou fazer nada de mau. Vou jogar sinuca com os amigos, conversar, e depois vou prá casa. E assim seguiu jogando, pois não estava cometendo nenhum crime, afinal.

Sebastião jogando sinuca é uma viagem. Ele adora jogar, e quem vê pensa que ele joga muito. Mas ele num passa de um vesgo jogando. Não tem calma, e só acerta as bolas que estão quase dentro da caçapa. E olha lá, hein?! Ele, antes de executar uma jogada, promete para si mesmo que irá se concentrar, mirar bem a bola, jogar com calma. Mas na hora H, ele esquece do que mentalizou e acaba se afobando. Só depois de empreender uma péssima jogada é que se dá conta da quebra de seu próprio juramento, deixado de lado pela emoção da jogada.

Depois de alguns jogos, os amigos decidem ir embora. Entram no carro e seguem em silêncio. Não falam nada, apenas ouvem a música rolando. A única mulher deseja ir para casa. Os demais não esboçam nenhum desejo, e nenhuma contrariedade. Até quem um deles convida o restante do pessoal para ir a um bar da cidade, onde toca música ao vivo. A moça não aceita e pede para ser deixada em casa. O trio restante acaba por ir ao bar.

O bar é um lugar pequeno, clima a meia luz, rock n’ roll ao vivo, com as paredes em um tom de cor alaranjado. Clima perfeito para sentar, tomar algo, conversar, e deixar fluir a noite. Isso se o lugar não estivesse completamete lotado. Ninguém conseguia se mexer lá dentro. Apesar do clima blues do lugar, o que mais se via era um monte de burgueses vivendo um momento rock n’ roll da vida. Sebastião olhava a sua volta refletindo o lugar e a desconformidade do estilo arquitetônico e as pessoas que ali estavam. Era tipo assim: nada a ver! Todos bem arrumados, com suas roupas de marca. Não era como os bares blues que Sebastião havia freqüentado.

Pelo fato de estar muito calor, estar extremamente apertado e haver um homossexual mostrando a bunda para Sebastião e seus amigos, resolveram sair do bar e ficar na calçada em frente, ouvindo de lá a música e e conversando de forma tranquila e audível. Sebastião estava irriquieto, supertando as dores nas pernas e nas solas dos pés. Ainda bem que seu All Star verde musgo estava bem batido, dando-lhe mais conforto. Mas All Star não é confortável por natureza. Remexia os pés sem parar, de um lado para o outro. Uma hora apoiava o peso do corpo em uma das pernas, outra hora na outra, e por ora nas duas. Um de seus amigos queria ficar lá, mas Sebastião não estava aguentando.

Até que se despediu e foi embora. Um de seus amigos o acompanhou até o carro e subiu ao apartamento. Sebastião lentamente entrou no carro, ligou o som, selecionou um álbum do The View, arrancou o carro e vagarosamente foi prá casa. No caminho encontrou um casal de amigos e parou para dar uma carona. Levou primeiro a moça, e depois o amigo. Até chegar na casa dele, foram conversando, trocando ideias e falando de seus relacionamentos amorosos. O seu amigo não estava muito satisfeito, o que fez com que Sebastião se sentisse meio pesaroso ao falar de sua namorada. Mas falou, mesmo assim, afinal tem orgulho da pessoa que tem ao seu lado.

Com um sorriso no rosto e peito estufado, Sebastião disse que namorada melhor não poderia ter. Está muito feliz, com uma pessoa maravilhosa, meiga, inteligente, compreensiva, dócil, madura… entre outras incontáveis e indescritíveis qualidades. E ainda confessou que não agüentava mais de saudade. Se despediu do amigo e seguiu para casa. No som, Face for The Radio, do The View. Música perfeita para ele pensar na noite, e no que havia pensado a noite toda. É… ele havia pensado nela a noite toda. E quando alguém tocava o nome dela, reavivava aquela saudade que sentia. Passara a noite pensando se ela não acharia a sua saída reprovável. E ao ouvir aquele som, refletia que algo faltou na noite: ela! Precisava do seu beijo, do seu carinho, de seu sorriso doce.

Chegou em casa, estacionou bem o carro, fechou o portão, entrou e sentou-se no sofá. Pensativo, refletindo sobre a vida. Em sua mente “you have the face for the radio” continuava a ecoar, como se fosse um fundo musical para aquele momento. Pensou em tanta coisa, fez planos. Amanhã sairemos, jantaremos em algum lugar, iremos a alguma festa e depois vamos para casa namorar, saborenado a presença um do outro. Mesmo sem ter feito nada de errado, de ter se portado muito bem, por sinal, Sebastião sentia uma estranha culpa por ter saído sozinho com amigos. Mas sabia que teria a compreensão de sua amada, e tudo ficaria bem. A custo, adormeceu, com suas pernas latejando sobre suas almofadas que pusera aos pés da cama.

No outro dia, as coisas não sairam como desejado. Não saíram como ele havia planejado. Ele esperava pelo momento de vê-la. O momento chegou, e ele passou por um breve interrogatório. Normal. As namoradas sempre fazem um monte de perguntas aos namorados. Mas ele sentia um “chatemento” no rosto dela. Voltou o sentimento de culpa por algo que não fizera, pois não havia realizado nada culpável.

A noite veio, apática, e Sebastião saiu para comer algo com sua amada, ambos com ar desanimado. Mas logo a descontração voltou, e estavam os dois a rir na mesa do restaurante, felizes. Pois afinal, Sebastião sabe que tem uma namorada maravilhosa, e ela sabe que Sebastião a ama demais, e é incapaz de querer decepcioná-la. E tudo voltou a sua normalidade. Ou, pode se dizer que foi desfeita a aparente anormalidade.

Os conflitos existenciais de Sebastião são constantes. Mas ele de forma alguma pode se queixar da vida que leva. Se o bar não é blues do jeito que ele imaginava, e se sentia culpada por não estar com sua amada, vamos ao bar jogar sinuca, ouvindo um bom Muddy Waters no caminho, na feliz companhia de sua tão doce namorada. Sim, não estamos num bar, mas sim no carro, mas o clima é blues, e a companhia é a melhor possível.

É, Sebastião está crescendo, envelhecendo, amadurecendo, e vendo que o mundo é bom. É, é sim, o mundo é bão Sebastião! MuddyWaters

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Pelas ruas da cidade

03/08/2009

Ele caminhava com as mãos no bolso, e a cabeça meio baixa. O passo meio cambaleante e os olhos perdidos. Não sabia o que olhar primeiro. Olhava as vitrines, mas não via nada lá dentro. Ah, via, mas não assimilava. Apenas olhava. Quando deu-se conta, estava a olhar uma vitrine de lençóis e edredons. Uma senhora o olhou estranhamente. Mas deve ter pensado que ele estava a escolher um presente para a mãe, e tornou a conversar com sua amiga em um sotaque alemão tradicional na região. Ele sentiu-se estranho mas continou a caminhar. Olhava as ruas, as calçadas, reparando cada pedra que a formavam, suas regularidades e irregularidades. Pessoas entravam e saiam das lojas. Pessoas se esbarravam na calçada. Alguns muito bem vestidos. Outros nem tanto. Outros totalmente cafonas. O vento soprava suave e ele não sabia se sentia frio ou calor. Mas continuava a caminhar, com uma pasta debaixo do braço. Por um instante esquecera que estava em horário de serviço, entrou em uma loja e pediu à atendente se ela tinha Bamba para vender.

- Bamba? Eu acho que nem fazem mais Bambas para vender. Mas eu tenho esse aqui!

- Não. Esse é de futebol. Eu quero um Bamba. Obrigado.

Na saída da loja, dois homens decididamente mal encarados, segurando várias latinhas de regrigerante cortadas pela metade, com uma espécie de canudinho, caminhavam na mesma direção que a sua. Ele olhou as latinhase logo afirmou para si: “latinhas para fumar crack!”. Pensou que os caras que fumam crack fazem tudo pela droga, inclusive assaltam rapazes bem vestidos com dinheiro no bolso. Era o caso dele. Melhor andar mais rápido, esquecer o Bamba e voltar ao trabalho. Até porque estava com dores nas pernas. Não é normal rapazes da minha idade terem dores nas pernas. E eu como banana. Seguia apertando mais ainda o passo, e sentia suas costas começarem a suar.

Enquanto caminhava, ele pensava nas aulas de Sociologia, ao ver toda aquela gente se movendo, se relacionando, consumindo, comprando, rindo, falando, trabalhando, a pé, em seus carros… Fatos Sociais! Mundo capitalista, racionalismo exagerado gerando burocracia. Ele vivia do mundo burocrático. Trabalhava autenticando atos-fatos das pessoas, pedindo-lhes provas sobre suas vidas, quem era, se eram realmente capazes de praticar tais atos-fatos. E quanto será que custa um Bamba? Vonte, trinta reais? Sentiu-se desolcado. Sentiu-se alheio ao mundo. Só queria chegar em casa, escutar um álbum do The View e relaxar. Mas Sebastião não consegueria. Não até encontrar seu tão sonhado Bamba. conga!!!

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País do futebol

02/08/2009

Peladinha de praiaO futebol é uma paixão nacional. O Brasil, como todos bem sabem, é conhecido como o “país do futebol”. Não há uma família que não possua uma bola de futebol em casa. Mesmo que feita de meia. Mas num deixa de ser uma bola de futebol. Eu, inclusive, adoro futebol. E não há crise mundial que empeça torcedores de irem ao estádio prestigiar o seu time de coração. Sim, muitos são declarados nascidos torcedores de seus times. Pode haver um motivo claro para a paixão pelo futebol: diversão e dispersão, desviando a mente para algo contrário à violência, à fome, ao desemprego. Ver o time jogar é mais interessante do que discutir as soluções políticas para os problemas vigentes.

Vejamos bem: é comum vermos uma roda de homens escalando o time para a próxima rodada, criticando o esquema tático e apontando soluções. Mas não vemos pelas ruas pessoas questionando a “escalação” dos nossos representantes, o “esquema tático” que usam e nem apontando as soluções para os problemas que se mostram de forma tão escancarada e escandalosa. Mal e mal acompanhamos com seriedade tais problemas, e se o time Política vai mal, lamentamos, criticamos, cruzamos os braços e sentamos domingo na frente da TV para ver mais um jogo do Brasileirão.

A diferença é que quem define quem jogará pelo time que torcemos é o técnico e ponto final. Na política, porém, somos nós quem definimos quem irá atuar no Congresso. Além disso, a atuação dentro do campo de futebol nos vale um momento de alegria. Aí lembramos que segunda-feira temos de voltar ao “batente”, recebendo um salário incompatível, correndo o riso de sermos abatidos pelo desequilíbrio da economia. Na política, nossa alegria poderia perdurar durante todo tempo se escolhêssemos de forma consciente os nossos representantes, fôssemos atrás de nossos ideais e cobrássemos de quem colocamos no poder.

Mas ao invés disso, preferimos sentar no sofá e escutar as baboseiras do Galvão Bueno. Fazemos o inverso daquilo que nossa Constituição proclama: um Estado Democrático de Direito, onde “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (CF, artigo 1º, parágrafo único). Temos o poder de interferir no poder, inclusive diretamente. Já falei neste Blog que elites, como estudantes universitários, poderiam tomar a frente e organizar movimentos de pressão contra a corrupção e afins e pela luta de assegurar nossos direitos. Mas é utópico pensar que teria apoio para isso. Por incrível que pareça, alunos universitários são os mais acomodados, pois dispõem de uma boa situação financeira – não é o meu caso, mas não posso reclamar: apesar de não viver no luxo, tenho tudo o que preciso para uma vida digna. E que fique bem registrado aqui.Estádio lotado

Conclui-se que o brasileiro prefere opinar sobre algo que não tem controle (o futebol) do que algo que tem (ou deveria ter) total controle: a Política. Isso porque podemos reclamar, esbravejar, culpar um técnico e onze jogadores, mas as mudanças vão depender do técnico e dos onze jogadores. Apesar das críticas e da preocupação dos brasileiros não influenciarem na vida esportiva, continuam as pessoas a se preocuparem mais com isso do que com o próprio futuro. Porque é ruim der te sair de casa para ir até a Câmara Municipal discutir política. É mais fácil assistir os Indianos na Novela das 9h e ficar até meia noite e meia acordado, nas quartas-feiras, assistindo o jogo. Assim o brasileiro se distrai, não se preocupa com problemas grandes – porém encarados como pequenos – correndo o risco de o time ganhar e ainda elevar a auto estima de bom torcedor.

É. Melhor ser o país do futebol do que o país da corrupção. Porém, enquanto os brasileiros continuarem sendoBrasil Pentacampeão políticos de sofá e se preocuparem cada vez mais com a escalação do Dunga do que com o caso do Sarney, a corrupção prevalecerá, veremos milhares de pessoas morrendo nos pronto-atendimentos, e teremos a cara de pau de reclamar da segurança. O brasileiro gosta de reclamar e criticar, mas não gosta de agir. A não ser que seja para ir ao estádio de futebol para prestigiar mais um grande clássico. Enquanto isso, o Sérgio Morais continua se “lixando” para a opinião pública.


Sérgio Morais - Se lixando para opinião pública

Sérgio Morais - Se lixando para opinião pública

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Solidão

26/07/2009

Como é bonito ver a “fumacinha” saindo do café. O café quente, negro, bem adoçado, na caneca prata. As “fumacinhas” dançam até desaparecer no ar. Na cozinha não há ninguém além de mim. Apenas eu com meu eu, dividindo a bela visão da “fumacinha” do café. As plantas parecem não dar bola para minha presença. Presença silenciosa, pensativa. Os objetos à minha volta estão dispostos como sempre estiveram. Mas parecem tão peculiares nesta manhã. Há um quê de mistério. Os sapatos abaixo de meus olhos apresentam um desgaste nas pontas. Pretos sapatos, macios e confortáveis. Porém, a vontade de não estar usando-os é inevitável. O frio do dia cinza e úmido entra lentamente pela porta, e parece entrar devagarzinho pelas mangas do casaco, das blusas de lã, da camisa, se dissolvendo em instantes. O café lhe tira o efeito, me mantendo aquecido. O estômago dá sinais de fome. Mas não trouxe nenhuma guloseima nem fruta para o lanche. O café, sem sucesso, tenta preencher o vazio da fome. E os sapatos se cruzam para relaxar os músculos da panturrilha. Os olhos estão pesados. Talvez efeito do antialérgico, ou da noite mal dormida. Os ombros parecem carregar o peso do mundo, mas meus pensamentos lembram que não é de todo o mundo, mas do meu mundo, o mundo em que vivo e o mundo que quero construir para mim. O resultado é um desejo incessante por uma prolongada massagem. O café vai acabando. Já posso ver o açúcar acumulado no fundo da caneca. A mão automaticamente se dirige até a cafeteira que enche mais uma vez a caneca. O relógio se move mais depressa que o desejado, e a hora de voltar ao trabalho se aproxima. O sol timidamente começa a clarear o dia cinza, tentando diminuir a excessiva umidade causada pela longa chuva da noite. Mais um gole de café, seguido de outro mais longo. Esboço versos de uma canção: “posso estar só, mas só de todo mundo. Por eu ser só um…”, seguida de um assovio baixinho. “Isso lá é bom, doce solidão”. Doce solidão da manhã gelada. Nunca a solidão foi tão bem preenchida. Eu, comigo mesmo. Que companhia agradável. Aqui sou notado, sou o centro das atenções, sou compreendido, estou bem acompanhado, de quem gosto e gosta de mim. Melhor do que estar entre amigos e nem se quer ser notado. Melhor por poder expor exatamente aquilo que me vem na mente. Como o fato de olhar para o adoçante sobre a mesa e refleti-lo. O adoçante. Gotinhas de uma água doce. O relógio já se moveu o bastante e eu preciso voltar ao compromisso. Levanto e limpo rapidamente a caneca. Já não há mais fumacinha do café, já não há permissão para lamentos e nem mesmo reflexão. Despeço-me e volto à pressão diária, sucumbindo a vontades alheias, sabendo que pouco se importarão com as minhas.

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Tome a iniciativa você também!

24/07/2009

Vou atacar de videozinho do YouTube de novo. Ando meio sem inspiração. Aliás, inspiração eu até tenho, mas num tenho tempo para expressá-la em palavras, e publicá-las. Dessa vez eu só queria dizer que apesar de muitas vezes nos encontrarmos desanimados, cansados, e pronto para dizer chega, sempre há um ponto de força interior que nos impulsiona a seguir em frente. Se não for por nós mesmos, nos apegamos ao impulso alheio, tomando-o como exemplo, para que possamos enxergar que somos mais fortes do que aparentamos.

Mas podemos também impulsionar os outros com nosso bom humor, disposição e espírito guerreiro.

Esse é só para provar que a alegria contagia!!!

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Eu tenho um blog. E?

24/07/2009

Eu estava pensando no que postar aqui no meu blog, algo de impacto, que chamasse atenção. Quem sabe assim alguém leria meus artigos, eu pudesse ficar famoso e passar adiante minhas ideias. Quem sabe ganhar um grana com isso, ou ser chamado no ClicRBS para criar um Blog e publicar de forma decente. Meus amigos devem ficar putos quando mando o link para eles darem uma olhada. É que a maioria das pessoas não gosta de ler. Ainda mais ler algo escrito por alguém sem nenhum precedente. É que uma coisa é ler o que o Arnaldo Jabor escreve, e outra é ler o que o coitado do Jhony escreve. Mas mesmo assim eu não perco o entusiasmo em escrever meus artigos.

Gostaria de falar e ter alguém com quem discutir sobre o “Fator Previdenciário”, ou então sobre os atos desviantes de adolescentes, seus porquês e as formas de diminuir a delinquência. Ainda poderia ter alguém que pudesse falar do comércio musical e a poluição sonora causada por essas bandas de… é… de… Kalipso é banda de quê mesmo?

Só que não dá prá se empolgar muito escrevendo, desenvolvendo textos longos e bem argumentados. Porque neguinho acessa o blog, olha por cima o post, vê que é longo, e acaba não lendo. Pensei em escrever sobre Ética e colocar uma foto da Pâmela Anderson pelada, só para chamar atenção. Mas vejo que isso seria meio “antiético”.

É foda. O Sant’anna pode falar qualquer merda no blog dele, e até mesmo na coluna da Zero Hora, mas oVô deitá infeliz aqui poderia criar uma tese filosófica que ninguém daria bola. Então vamos lá. Vamos manter um blog por prazer em escrever, para gastar o tempo… ou simplesmete “ter um blog. Vou baixar um álbum do Kings of Leon e dormir.

“Antes uma pedra no caminho do que duas no rim”.

Cala a Boca Pangers

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Quando você menos espera

23/07/2009

Tem vezes na vida que vamos levando, tranquilos, julgando estar tudo bem… Quando de repente, alguém vem e nos mostra que não é bem assim…


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Desenvolva seus dons

22/07/2009

Após passar pelo blog de meu nobre amigo Tadeu, fiquei bastante impressionado com a sua habilidade com as palavras, usando de um vocabulário rico e culto. Sabe fazer-se entender, expressa bem suas ideias, tem sempre boa opiniões. Não tenho todo esse dom, mas gosto de escrever. Não uso de peculiaridades na hora de me expressar. Bem que gostaria, mas acredito que a simplicidade também seja válida. Já ouvi dizer que os limites do homem são os limites da sua linguagem. Porém,penso que com minha singela forma de escrever posso ser compreendido por todos, sem muito a pensar e interpretar. Só que é ruim para alguém que fará da argumentação o seu ganha pão. Se bem que penso que para convencer basta ser plausível, coerente e analítico. É que há certas coisas que se explicam com palavras exclusivas, sem analogias. Outras podemos explicar com um simples exemplo. [sim, um pouco confuso]

O fato é que o Tadeu Marcon tem um dom: expressar em palavras aquilo que sua mente “carpinta”. E não de forma simples, mas poética, clássica, bonita. Um dom bem trabalhado, com certeza. Afinal ele estuda, não deixa de consultar o dicionário quando tem dúvidas, além de ler bons livros, o que sempre enriquece o vocabulário e faz com que, ao falar, encontremos as palavras mais apropriadas.

Ter um dom e desenvolvê-lo é algo tão glorioso. Como um músico, um dançarino, um escritor. Pensando nisso, fiquei com uma pulga atrás da orelha. O Tadeu exerce seu dom lendo, escrevendo, estudando… enfim, praticando. Assim como jogadores de futebol, que treinam diarimente. Como é será que esse cara do vídeo abaixo faz para exercitar o dom dele? E pior ainda: como é que ele teve a ideia de desenvolvê-lo, isto é, como descobriu que tinha esse dom?!

Blog do Tadeu Marcon

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Brasileiros são praticamente imunes ao H1N1

14/07/2009

Um dos assuntos em pauta na mídia e em todas as rodas de conversa entre amigos é a tal da gripe suína, ou Gripe A, Gripe AH1N1, que seja. O fato é que pessoas do mundo inteiro estão se prevenindo contra a doença que é encarada como pandemia, tamanha rapidez com que se alastra. Os brasileiros, porém, apesar do grande número de casos com morte no México e outros países, e até mesmo alguns casos aqui no Brasil, parecem não estar tão temerosos como em nossos países vizinhos. Há motivos.

Na Argentina o número de casos da doença vem aumentando substancialmente. Com isso o número de visitantes ao país diminuiu na mesma – ou até mesmo em maior – proporção. Na televisão os noticiários alertam para que se proceda ao cancelamento de viagens ao país dos “hermanos”, para que o vírus fique lá! Brincadeirinha a parte, o Brasil não quer sofrer o mesmo que o México teve de enfrentar. Resultado disto: o preço das passagens aéreas à Argentina despencou, ficando mais acessível ao bolso sofrido do brasileiro.

Em uma conversa, fiquei sabendo de um grupo que, mesmo ciente do risco de contrair a doença, se programa para uma viagem à cidade argentina de Bariloche, muito freqüentada por turistas do mundo inteiro. O grupo pretende aproveitar a queda no preço das passagens. Porque uma oportunidade dessas não é sempre que se tem. Enquanto a vacina da doença não é criada, o preço continua baixo e os brasileiros felizes em Bariloche. Só com uma gripe do porco para o preço das passagens baixarem.

Aqui no Brasil o número de mortes por causa da doença é pequeno. E penso que os brasileiros têm mais é que aproveitar a baixa nos preços e curtir uma bela de umas férias no país vizinho. Afinal, todos os dias morrem dezenas de brasileiros vítimas de bala perdida, vítimas da violência de assaltos, do descaso político. E os gringos vêm para cá e acham a favela admirável. E nem por isso os brasileiros da favela da Rocinha deixam de lá viver. É claro que há inúmeros fatores para que permaneçam lá, mas vivemos em uma sociedade de risco, onde nossa vida pode ter fim a qualquer momento.

A verdade é que os brasileiros são praticamente imunes ao vírus H1N1. Pois quem agüenta o Lula durante oito anos no governo do país, agüenta tranqüilo a “gripezinha” do porco. E se bobiar, a gripe aviária, do cavalo, da vaca…

Saiba mais sobre a Gripe A clicando aqui

Lula

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Voltando aos poucos…

12/07/2009

É, faz tempo que não escrevo aqui, no meu humilde blog. E não é por falta de vontade não, mas sim por falta de tempo. O último semestre tem me exigido muito: os estudos, o trabalho. Foram noites e noites indo dormir uma, uma e meia, duas horas da noite. Não ia além porque no outro dia estaria muito cansado para tabalhar. Por isso tive de deixar de lado o meu blog, para cair de cara em doutrinas de Direito, em obras de Durkhein, Weber, Marx, além de leituras de Filosofia. Não foi fácil, mas a recompensa veio. Não como eu desejava, mas além daquilo que conseguiram meus colegas que, diferente de mim, ainda não acordaram para a realidade, achando que a faculdade é uma extenção do ensino médio. É muito mais que isso.

Apesar da forte dor de cabeça, resolvi sentar diante do teclado, e escrever algumas coisas. Gosto muito de leitura, e adoro escrever, mesmo que aqui, sem ninguém ler. Aliás, ninguém não. Minha namorada lê. E foi ter passado o fim de semana com ela que me fez escrever este artigo. Em meio a muitas preocupações e angústias, existe uma pequena que me escuta, que me entende, e que me dá todo o apoio que preciso. Uma Marina linda, com rostinho de boneca, e aquele sorriso mágico.

Então, vou iniciar mais um título:

Uma tarde no parque

Abri os olhos e ouvi minha namorada me dizendo: “Olha que dia bonito Jhony!” E eu pensei: claro, acordei olhando para essa coisa linda! Sol, um friozinho ameno, e disposição para um passeio. Eu sabia que ia ser bom, apesar da depressão domingueira de sempre. É… eu não estou mais tão disposto assim para o trabalho.

Veio a tarde, e com ela a queda de temperatura. Ia ficando cada vez mais friozinho. Ótimo para um chimarrão no parque, sentado na grama, deixando o tempo passar, conversando, olhando o movimento, comendo algodão doce. Me faz um bem enorme poder sair e esqucer certos problemas, certas incomodações. E serve para ver que há muito mais motivos para me sentir feliz do que abatido.

Chimarrão

Marina - Chimarrão

Tarde boa. Tarde revitalizante. Momentos que fazem a gente se sentir melhor, mais alegres. E mais tristes também. Karl Marx afirma que o trablaho aliena as pessoas, porque as pessoas não se reconhecem mais naquilo que produzem, e vêem a felicidade se dando fora do ambiente de trabalho. São sábias as palavras de Marx quando define a forma de trabalho no sistema capitalista. O fato é que não tenho mais sentido tanto prazer no trabalho. E em um domingo véspera de segunda-feira não é nada animador.

Não sei se é algo comigo mesmo, se é algo externo. Mas um sentimento de anomia ne rodeia. Me sinto sem perspectivas, sem motivações. Espero que seja algo passageiro, que seja algo da minha cabeça, somente. Porque eu quero ficar de inteiro feliz em uma tarde de domingo, como a de hoje. Poder estar com as pessoas que eu gosto, como na tarde de hoje, fazendo coisas que eu gosto, como na tarde de hoje. Nada como um algodão doce para adocicar o fim de tarde.

Chimarrão - Jhony e Marina


É pensando na bela tarde que tive que pretendo conseguir forças para não desanimar. Por um instante me imaginei no “Show de Truman“, e vejo que devo sair um pouco da rotina, parar de ser lavado pelas ondas do destino e eu mesmo criar o MEU. Chega de ser um Truman, chega de ficar reclamando ao vento da má sorte. Eu sei que de tudo eu posso tirar proveito e uma boa lição. Hoje eu tive a prova disso: tenho saúde, tenho potencial, tenho emprego, tenho família, tenho uma namorada excepcional, tenho bons amigos, tenho uma vida inteira de sucesso, realizações e glória pela frente. O que eu não posso é ficar parado me deixando abater por conflitos existencias. Até porque amanhã é segunda, e não virão me perguntar se eu quero ficar um dia em casa, dormindo, descançando e ouvindo música. Amanhã vão me cobrar serviço e disposição.Chimarrão - Jhony e Nina

Até porque, sempre que fizeres o melhor, sempre vão te exigir melhor ainda. Não adianta. Pessoas só brilham porque almejam sempre a perfeição. E eu não posso perder tempo. Porque a vida perfeita eu já tenho. Agora é só botar em prática minhas potencialidades. Nada como uma tarde de domingo no parque para dar novo ânimo na vida. Coisas simples que fazem da gente pessoas melhores.


Algodão Doce - Nina

Chimarrão - Jhony e Gabi



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Mais algumas do ônibus

12/02/2009

Indo para a parada de ônibus hoje pela manhã, eu pensava sobre a falta de acontecimentos bizarros ocorridos no ônibus. Quase todo dia acontecia algo estranho e anormal, e, nos últimos dias nada de tão assustador. Na verdade, nada foi algo tão assustador. O velhinho “azudo” não é assustador, por exemplo, mas é pitoresco, nojento, ou posso dizer que é até engraçado, pelo fato de as oito e meia da manhã alguém já estar fedendo daquele jeito.

A última que tinha me acontecido foi a da mulher que me esmagou no banco do ônibus. Era um dia absolutamente normal: eu com sono, o ônibus não tão cheio, temperatura amena, não tão quente, ameaçando chover, todo mundo de cara amarrada no ônibus. Diferente do meu costume, nesse dia sentei lá na frente, quase atrás do motorista, naqueles bancos vermelhos para idosos, deficientes e gestantes. Se alguém me questionasse eu diria que estava “grávido”. Mas ninguém ousou. Até porque pela manhã ninguém tem muita vontade de abrir a boca, a não ser para bocejar e exalar aquele gosto de cabo de guarda-chuva de quando se levanta da cama, mesmo após ter escovado os dentes.

Sentado lá na frente eu seguia com meus pensamentos. Até que entrou uma mulher com uma criança no colo. Ao contrário de todo mundo, a tal mulher entrou pela porta da frente. Para não precisar quase atravessar o ônibus para se sentar, ela viu que tinha um banco vago ao lado do “grávido” com cara de sono, mal humorado e de mochila, e ali resolveu sentar. Tudo bem. Não ia me opor ao fato. Não ia porque não sabia do que a mulher ia fazer comigo.

Sentou-se, com a criança no colo e um guarda-chuva. E quando sentou ocupou um banco e um terço do que eu estava sentado. Tudo bem, fechei as pernas, ajeitei minha mochila e fiquei na minha. Aí a mulher começou a se remexer no banco, se ajeitando. Comecei a suspeitar que a mulher estivesse com alguma coceira na “busanfa”. Mas era para acomodá-la melhor, enquanto eu ia cada vez mais próximo da janela.

Ela era uma mulher que aparentava ter uns quarenta e poucos anos, pele bem morena, cabelos lisos e grossos e era meio gordinha. Mas não era uma gorda parelha, se é que me faço entender. Usava roupas simples e um perfume que me tonteou. Putaqueopario! Que perfume forte e ruim. Era doce, e de tanto que ela passou, dava para sentir o cheiro do álcool. Acredito que seja daqueles de espirrar, onde cê aperta o tubo inteiro para aplicá-lo. Nossa, me sufocou aquele cheiro. E além de me sufocar com o cheiro, ela me sufocava contra a janela. A cada curva ela tomava conta de mais uma porção do meu banco.

Nessas horas a gente perde a empatia. Nessas horas eu pensava: “mas que merda, esse tribufu tá me esmagando. Se ela quisesse ocupar o meu banco, deveria ter pedido, e não me empurrado”. Eu tinha vontade de pedir para ela se ela tinha chuveiro em casa. Eu acredito que não, porque o banho que ela tomou foi daquele perfume vagabundo e catinguento. Eu tinha medo de ficar com o cheiro da mulher, de tanto que ela me esmagava contra a janela. Eu tinha vontade de empurrar ela também. Mas ela tava com a criança no colo. Aí comecei a mentalizar a tal da mulher descendo, e levando o cheiro catinguento dela embora. Eu estava até com medo de ficar com aquele cheiro também.

Depois que ela desceu me aliviou o nariz. Já estava me atacando a renite. Desci na minha parada e me cheirei bem para assegurar de que eu estava com o MEU cheiro. E graças a Deus eu estava.

***

Depois dessa da mulher, só a de hoje. Nada de muito estranho também. Só que eu acho que a guria deve ter se sentido pior depois que eu olhei para ela. Eu também não fiquei muito confortável.

Entrei no ônibus e sentei no banco em frente à cobradora. Eu nunca conversei com ela, apesar de pegar o ônibus todos os dias. É que ela me deixa triste e irritado. Trata as pessoas com estupidez, principalmente os idosos. Está certo que tem uns velhinhos que são chatos pra caralho, mas mesmo assim ela poderia ter um pouco mais de paciência e delicadeza.

Quando estávamos na rodoviária, entrou uma família bem “grandinha”, um monte de criança e uns adultos gritões. Ela, a cobradora, logo disse: “ai meu Deus!”. E eu logo pensei: “pronto, a estúpida já vai descontar na família Buscapé.” Quando olhei pra ela vi que o “ai meu Deus” não era referente ao pessoal, e sim ao estado em que ela se encontrava. O motorista lá da frente olhou para ela e ela disse, sem emitir som, apenas com movimento dos lábios: “eu to mal, vô vomitáá!” A mente de Jhony Walker imaginou uma série de motivos: vai ver ela havia tomado todas no domingo, naqueles bailões que vão da uma da tarde até a hora da última coroa estar dançando; ou talvez ela pudesse ter comido, no café da manhã, uma mortadela estragada, comprada na quarta-feira da semana passada; poderia ser a salmonela da maionese; ou ela poderia estar grávida. Será?! Quase perguntei para ela. Imagina se ela estive, eu poderia ser o primeiro a dar os parabéns para o Estupidozinho Jr.

Olhei para ela, e na mesma hora ela levou a mão na boca, inflou as bochechas e…. e eu arregalei o olho, apavorado, e com medo de que ela vomitasse em cima de mim. Porra! Eu tinha tomado o meu banho, passado meu perfumezinho. Era só o que me faltava. Mas, ela deve ter ficado constrangida com minha cara de espanto que deve ter engolido de volta a mortadela, ou a cerveja, ou a maionese, ou o filho…

Mas sabe que eu fiquei com dó dela. Deve ser foda estar mal, com ânsia de vômito, e ainda num ônibus balançando o dia inteiro. E olha que o motorista não estava nem aí para a guria. Pisou naquele acelerador com vontade, como faz todos os dias. Buraco na estrada, curvas, ele nem estava. E a guria naquele estado, mão na barriga, meio vesga, com cara de cão que caiu da mudança. Mas não é um cão simples, é um cão estúpido e com mal estar.

Eu não poderia ficar ali parado vendo a guria prestes a vomitar. Tinha de tomar uma providência, e logo. Aí que fiz o que deveria ter feito logo de cara: peguei minha mochila, a passagem, entreguei para ela e vazei para frente. Não poderia correr o risco de chegar todo vomitado no trabalho. Ainda mais em uma segunda-feira “daquelas”. E “daquelas” mesmo. Minha renite chegou ao apogeu. Um ataque sinistro. Mas essa é uma outra história, que você verá nesse mesmo horário, e nesse mesmo canal.

Star City, 09 de fevereiro de 2009, Jhony’s Badroom, às 19h30min.

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Comprimido do sono

22/01/2009

Bem que eu havia desconfiado que o meu remédio da rinite me daria um “baita” sono, mas não imaginei a proporção dele. Hoje eu senti o efeito daquele pequeno comprimidinho. Efeito de grandes proporções, inclusive me impulsionando a escrever este artigo. O nome do remédio é “Decongex Plus”. São dois pequenos comprimidos por dia, um pela manhã e um pela noite, para aliviar sintomas de gripe, rinite, sinusite. É um descongestionante antialérgico poderoso. Já havia usado ele no primeiro tratamento da rinite, mas o efeito eu não me recordava. Não assim.

A rinite é uma inflamação da mucosa do nariz. Ela ocorre como reação do organismo a um agente que invade essa estrutura. A mucosa, que reveste a cavidade chamada corneto, está sujeita à agressão das partículas, principalmente a da região inferior. Como conseqüência, aumenta de volume, reduz a passagem de ar e dá a sensação de nariz entupido. Resumindo: é uma merda!, ficar com o nariz ora escorrendo, ora entupido, tendo dificuldade para respirar e tendo constantes ataques de espirros, ou pela presença de poeira, ou pela mudança de temperaturas dos ambientes.

Com todos os sintomas descritos, não há como não ficar de mau humor. A vontade de que passe logo a reação alérgica é tanta que se enfia todo tipo descongestionante no nariz. E isso acaba piorando a situação. Quem sofre desse mal rende menos no trabalho, nos estudos, além de ter afetada a convivência social, tendo de estar sempre prevenido com lenços, remédios, e cuidando as mudanças de temperatura. Não é a todo lugar que se pode ir, não é toda atividade e em toda hora que se possa realizar, porque pode haver um desencadeamento de espirros e coriza incontroláveis e irritantes, até mesmo para quem está por perto.

Então vamos lá senhor Jhony, de volta ao tratamento da rinite.

Bela manhã de quarta-feira, depois de uma noite mais ou menos bem dormida, com aquele cansaço rotineiro, e com o relógio sempre contra mim. Café da manhã tomado, banho, almoço na mochila, e remedinho goela a baixo. Eu ainda comentei com a minha mãe: “Não é esse o remédio que dá sono não?!”. E ela respondeu: “eu não lembro. Mas acho que não. Lê a bula.” O que dizia na bula era sobre a sonolência excessiva causada se o comprimido fosse tomado com outro tipo de remédio para insônia, depressão, ou algo do tipo. Aí pensei que não era o meu caso, e tomei o remédio bem “tranqüilão”.

Tomei o ônibus e fui tranqüilo ao trabalho, com o nariz respirando normalmente, sem nenhum espirro e sem nenhuma “fungada”. Uma beleza. É tão bom que custa para acreditar. Mas eu estava me sentindo bem. Só um pouco sonolento. Bem, o sono eu sinto todo dia quando vou trabalhar, não seria diferente na quarta-feira do dia 21 de janeiro de 2009. Enganei-me um pouco – um pouco bastante.

Depois de largar minhas coisas no armário, colocar o sapato, e me dirigir até os guichês onde eu atendo os clientes do Tabelionato, eu vi que algo não estava muito certo não. Eu estava raciocinando um pouco menos rápido do que o normal. Nem o meu pensamento estava acelerado como de costume. O cansaço estava grande, e eu sem vontade de atender. Começou a “soneira”.

O primeiro atendimento do dia foi normal, tranqüilo, sem nada de mais. O segundo também. Até brinquei que havia faturado vinte reais e quarenta centavos ao tabelionato em apenas dois atendimentos. Só que o sono foi aumentando, bem ao contrário do que acontecia em todos os dias. Quando eu me reparava, estava olhando para o vazio, quase sonhando. Até algumas coisas sem nexo escapavam da minha boca. Espero que ninguém tenha notado.

Aí entrou uma senhora com um documento onde deveriam assinar duas testemunhas. A senhora estava sozinha. Pensei que não havia nenhuma das assinantes presente, porque quando isso ocorre, elas logo se apresentam no guichê para serem reconhecidas pelo atendente. Fui até o arquivo e procurei as fichas das duas mulheres. Voltei com a ficha na mão, de uma delas. A outra eu encontrei no sistema de computador e não precisei achá-la no arquivo dos cadastros antigos. A essas alturas eu não conseguia mais prestar atenção em muita coisa.

A que tinha o cadastro no computador eu pedi se estava presente e a senhora disse que não. Para reconhecer a assinatura da outra, dirigi a mesma pergunta à velhinha, e ela disse que sim, e só então a assinante apareceu. Confirmei, para ver se era ela mesma e fiz o reconhecimento. O procedimento que eu deveria seguir seria a abertura da ficha cadastral da testemunha que ali estava, e que só tinha o cadastro antigo. Só que o soneca aqui, mais para lá do que para cá, nem se ligou nesse pequeno – pequeno grande – detalhe e reconheci sem as atualizações devidas.

Pedi o nome para o recibo e despachei as velhinhas para esperarem no caixa. Depois de ter colado as etiquetas do reconhecimento da assinatura que eu vi que havia feito uma cagada. Fiz os dois reconhecimentos por autenticidade, sendo que deveria ter sido um por autenticidade e o outro por semelhança. Fiquei puto comigo mesmo. Imprimi o recibo e tive de cancelá-lo logo em seguida. Cancelar um recibo não é nada legal. Além de ficar registrado com o meu nome, é sinal de erro. Descolei as etiquetas lentamente para não danificar o documento e fui refazer o reconhecimento de firma. A questão do cadastro larguei de mão. O importante era fazer certo e logo o reconhecimento, pois as pobres coitadas ainda estavam lá esperando.

Respirei fundo, esfreguei os olhos e comecei a refazer. Só que eu nem lembrava mais qual deveria ser por autenticidade e qual por semelhança. Raciocinei um tempo e por dedução fiz como achei que fosse. Mas fiz certo. Resolvido a cagada do dia. Peguei as etiquetas que sobraram e coloquei dentro da gaveta da Cassiana, minha colega de trabalho do guichê ao lado. Ela nem percebeu. Eliminei as provas contra mim – que pau no cu.

Chamei o próximo cliente. Era uma declaração de residência. Olhei por cima aquele texto mal escrito e pedi ao cliente se era ele quem estava declarando residência. Ele afirmou que sim e eu com sono e de saco cheio – não sei o motivo – fui logo pedindo o CPF e a Carteira de Identidade do cidadão. Ele de pronto me entregou e eu fui fazendo o cadastro dele. Preenchi os dados, tirei a foto, coletei a digital, digitalizei os documentos, tudo bem feito, me concentrando para não cometer nenhum erro. Feito o cadastro, fui colocar a seta na assinatura dele e vi que não fechava, era outro nome. Só então fui ler bem a declaração de residência e vi que não era ele quem declarava, e sim o titular do endereço que o fazia pelo cliente que ali estava. Quase bati no cara, que, na sua ignorância, disse que era ele quem declarava. Mas isso ficou só no meu íntimo. Ainda mais que o rapaz era do Morro XXV. Fiz de conta que estava tudo normal e reconheci a assinatura do senhor que havia declarado e despachei o rapaz.

Aí foi demais. Com a velhinha eu deixei de fazer o cadastro que precisava, e com o gurizão eu fiz um que não precisava. Sem falar nas duas etiquetas que geraram uma nota cancelada. O dia não estava para mim. Quando eu me levantava da cadeira e parava, via tudo estranho. Eu só pensava na minha cama deliciosa, no meu edredom, no conforto do meu quarto. E isso me fez ir até a cozinha e tomar três copos cheios de café puro, para ver se acordava, mas nem isso adiantava. Ô comprimidinho do “diaabo”!

No horário de almoço quase dormi sentado. Li a doutrina de Direito Civil e não absorvi nada. Só lembro que enquanto eu lia, imaginava no que estaria fazendo em casa naquela hora. Pensava que seria melhor ainda se estivesse na companhia da minha namorada, trocando uns carinhos, alguns beijos. Só que eu estava muito estressado, sem saco e chato para mais de metro. E a minha garota não merece isso.

A tarde veio e com ela mais alguns copos de café. Só dei uma acordada quando ocorreu um apagão e ficamos um bom tempo sem energia elétrica no Tabelionato. Não só no Tabelionato, mas em toda cidade de Lajeado. O atendimento teve de ser manual, o número de clientes aumentou e o serviço estava mais lento. A correria pegou e isso fez com que, de forma forçada, eu ficasse um pouco mais esperto. E o efeito do remédio estava passando também.

Quando cheguei em casa, por volta das 6:45 da tarde, fui “reto” ao sofá e me deitei. Que delícia. Aquele sofáSoninho gostoso nunca foi tão confortável. Aquela programação da televisão nunca foi tão agradável. Eu finalmente poderia deitar e dormir, nem que fosse no chão. Finalmente eu estava de pernas para cima, relaxando, sem pressão, sem me cuidar. Era só vegetar e curtir o momento “zem”. Só que o sono que eu queria sentir estava passando. Na hora errada. Agora sim eu poderia sentir sono sem problema algum. E ele estava indo embora. Comecei a ficar puto de novo. Só que eu estava tão cansado que nem isso conseguia fazer.

Depois do lanche e depois de ter falado com a minha garota linda pelo telefone, voltei a ingerir o tal comprimidinho porreta que me deixou “legalzão”. Já fazem meia hora que o tomei, e isso significa que já estou quase deitado na cadeira da escrivaninha do meu quarto na frente desse bom amigo computador. Os olhos diminuem e a cama atrás de mim me convida a celebrar a arte de dormir.

Um sentimento de satisfação toma conta de mim, porque agora sim, poderei dormir sossegado. Chegou o momento pelo qual eu esperei durante o dia inteiro. Então, boa noite pessoal. Ah, claro. As etiquetas da gaveta da Cassi eu recolhi no fim do dia, sem que ninguém soubesse que lá estavam, sem prejuízo à minha amiga.

Jhony, 21 de janeiro de 2009.

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O Senhor que tomou um Red Bull

17/01/2009

Um longo dia de trabalho viria pela frente e eu já estava atrasado por conta do forte sono que fez com que eu ficasse além do tempo devido na cama, enrolando e criando coragem para levantar. Minhas noites não eram das melhores, não conseguia dormir direito, tinha dificuldades para pegar no sono, rolava até altas horas na cama. Resultado: acordava cansado e indisposto. Mas não poderia me dar o luxo de deixar de ir trabalhar.

Levantei mal humorado, em silêncio – como sempre -, tomei o café da manhã, o banho, peguei minhas coisas, coloquei na mochila tudo o que precisava, e o livro que estava lendo enquanto ia ao trabalho. O livro era Iracema, um clássico literário de José de Alencar. Como eu não havia lido na época do ensino médio, e agora, no ensino superior havia adquirido um imenso gosto pela leitura, resolvi ler o clássico e saciar minha curiosidade.

Estava eu saindo de casa quando lembrei de algo que, pela pressa, havia esquecido. O desodorante. O calor era forte. O dia começava como sol bastante intenso, e como eu estava atrasado, teria de caminhar rápido, o que resulta em suor excessivo, anda mais que suo além do normal. Após aplicar o desodorante nos “sovacos”, saí apressado. Da minha casa até a parada de ônibus são cerca de oito minutos mais ou menos. Aquele dia eu teria de fazê-lo em cinco.

Cheguei na parada de ônibus um pouco suado, um pouco ofegante, e logo fui abrindo o livro. Não demorou mais de um minuto para que o ônibus chegasse. Entrei e sentei na janela em um banco que ficava antes da catraca. No ônibus as pessoas de todos os dias, sentadas mais ou menos nos mesmos lugares de sempre. O ônibus se deslocou até a rodoviária, que era a parada seguinte da minha. Entrou mais uma porção de gente. Entre eles um velhinho que eu não havia visto ainda.

O velhinho era bem vestido. No estilo dele, mas era. Calça social em um tom bem discreto, camisa social devidamente abotoada e por dentro das calças, em um tom de verde musgo, mas um pouco mais claro. E sobre sua cabeça, um chapéu de feltro no mesmo tom das calças. O chapéu parecia novo, recém comprado, e escondia boa parte dos poucos fios de cabelo branco que tinha. Apesar da idade avantajada, ele não parecia ter aquele cheiro de naftalina costumeiro da terceira idade.

O senhor apresentou sua carteirinha de idoso para a cobradora da empresa (que era uma estupidez em pessoa, diga-se de passagem), pagou e sentou no banco a minha frente. Eu segui minha leitura de Iracema sem dar muita bola para muita coisa. Quando de repente o forte calor do dia começou a surtir efeito. E não era o calor que eu sentia, mas o efeito que surgia no senhor idoso: um forte odor de “asa”.

Era um cheiro azedo, forte, desconcertante. Cheguei a me cheirar várias vezes para me certificar de que não era em mim, de tão forte que era. Olhei para a cobradora e ela franziu a testa. No livro eu lia uma passagem onde falava, na forma poética do autor, de doces cheiros, e aquele cheiro de “asa” tomando conta do ônibus. Eu até pensava :”como fede essa a floresta da Iracema”.

Pobre do senhor, não tem culpa de suar, e feder a “asa”. O calor era forte, o tecido da camisa do velhinho não me parecia das mais leves, e o ar condicionado do ônibus não surtia efeito. Dei uma olhada na minha mochila para ver se não encontrava um desodorante. Mas não encontrei. Se tivesse, eu ofereceria para o senhor, amenizando o desconforto de quem estava na volta dele. O pior de tudo é que ele nem deveria saber do seu odor.

Fiquei com pena do senhor, mas em seguida pensei: “puta merda! se eu quase me atrasei para voltar para casa e colocar o desodorante, porque ele não poderia fazer o mesmo?”. Até porque ele era bem ajeitado, falta dinheiro não seria, ainda mais com aquele chapéu novinho que ele usava sobre a careca branca.

Foi um alívio quando cheguei na parada de ônibus próximo ao Tabelionato, desci, e dei uma bela de uma cheirada nas minhas axilas, sentindo o cheiro gostoso do meu desodorante. Senti-me o cara mais cheiroso do pedaço, e até minha auto-estima subiu. Fui trabalhar até mais feliz e disposto.

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Desigualdade aos desiguais, para igualar

21/12/2008

De acordo com a nossa Constituição Federal de 1988, homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, segundo reza o artigo 5º, inciso I, do citado diploma. De fato homens e mulheres, perante a lei, são iguais. Porém, se sabe que há diferenças muito acentuadas entre os sexos, tornando bastante formal essa norma. Sabe-se que homens e mulheres se diferem muito, de acordo com inúmeros fatores sociais, culturais e históricos, além de aspectos biológicos e psicológicos. A verdade é que homens e mulheres não se sentem iguais, nem mesmo perante a lei.

É de conhecimento de todos que ao longo da história a mulher sempre esteve em situação de inferioridade perante o homem. O homem assumia o papel de chefe de família, com a responsabilidade de sustendo da mesma, enquanto a mulher deveria cuidar dos filhos, da harmonia do lar, além de servir de suporte ao marido. Essas palavras podem soar grosseiras, mas verdadeiras. O homem, por estar atuando em sociedade, criou seu espaço na mesma, e a mulher se mantendo apenas nos limites do lar e de uma vida social bastante limitada. É fato que fomos construindo uma sociedade machista, e nas últimas décadas estamos tentando corrigir esse grave erro, através das leis, através de uma mudança de cultura a longo prazo. A longo prazo pois ainda estamos em fase de adaptações para manter a real igualdade.

Hoje a mulher constrói seu espaço, aparece para o mundo e evolui, assumindo as mesmas responsabilidades que há anos atrás só os homens assumiam. As mulheres estão se tornando independentes, sem precisar se submeter ao sustento do marido, do pai, do homem com quem convive. O homem então se sente ameaçado pela mulher, pois não está acostumado a ter o seu lugar – ou o lugar que antes ocuparia – sendo ocupado por uma mulher. A sociedade em geral não se acostumou, homens e mulheres ainda não aprenderam a serem iguais.

Por essa razão que o artigo 5º da Constituição Federal apresenta em seu primeiro inciso esta questão. Só que apenas esse artigo não resolve o problema, pois ainda muitas mulheres sofrem com o legado histórico e cultural negativo que o mundo criou. Ainda vemos mulheres se submetendo a situações humilhantes sem amparo para reverterem o quadro em que se encontram. Por essa razão existem leis que as favorecem, como é o caso da lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), que “cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher” (art. 1º).

Essa lei, porém, se tornou alvo de discussão, sendo apontada como inconstitucional, por dar mais proteção às mulheres, fazendo com que elas detenham mais direitos que os homens, pondo por terra a igualdade defendida no já citado artigo 5º, I, da Constituição Federal. Dá total defesa às mulheres, e nenhuma aos homens, é o que muitos afirmam. Só que esse ponto merece uma reflexão especial se analisarmos o perfil social em que vivemos e, principalmente, no forte machismo que enfrentamos. Mais moderado, sim, mas ainda existente. Um homem se agredido pela mulher tem todo o direito de se defender perante a lei. Só que nossa cultura reprova isso, pois seria totalmente vergonhoso o fato de um homem, caracterizado por força física e vigor, ser agredido por uma mulher, fisicamente mais fraca. Pode acontecer, é claro, só que em geral a sociedade não vê com bons olhos, pois ainda não amadureceu para a igualdade.

Se analisarmos o número de mulheres que sofrem violência doméstica diariamente no nosso país, não haveria discussão em relação à inconstitucionalidade ou não da Lei Maria da Penha. Não por parte de operadores ou futuros operadores de Direito. Pois sabemos que uma Constituição, além de limitar o poder de governadores, também deve atentar ao bem-estar da população, segundo sua cultura, suas necessidades, e o momento histórico em que se encontra. E vivemos em uma sociedade onde muitas mulheres ainda necessitam do amparo de leis e de proteção para não precisarem se tornar tão submissas e inferiores.

Não vivemos mais em tempos de donas de casa. Vivemos em um tempo onde as mulheres buscam realizações profissionais, liberdade e independência financeira, bem-estar pessoal e uma vida social digna, sem necessitar de um marido para sobreviver, e portanto, sem precisar se submeter ao mesmo. Vivemos em uma fase onde as mulheres cada vez mais conquistam seus espaços e direitos. Porém a igualdade, ainda não como um todo, pois não estamos de todo maduros para que haja a igualdade real, material, e não apenas a formal.

E por falta dessa maturidade, pela infantil e grosseira insistência dessa descendência que trazemos enraizada em nossos genes através da história e cultura, necessitamos de leis como a 10.340 de 07 de agosto de 2006, supracitada. E necessitamos desse tipo de lei para que possamos manter a igualdade entre homens e mulheres, para que elas não sofram abusos machistas, se sintam protegidas, para perderem o medo e viver de igual para igual com os homens, podendo fazer de seus sonhos uma realidade, podendo se sentir livre para atingirem o sucesso que almejam, se desprendendo do preconceito, e assim fazendo valer o que assegura nossa Constituição em seu art. 5º, I. São válidas, sim, as leis que defendem mulheres, pois só assim conseguiremos que homens e mulheres andem juntos, com igualdade, em clima de harmonia e bem-estar, construindo uma sociedade mais justa e sem preconceitos, rumo ao progresso e crescimento do Brasil. Afinal, esse é um dos objetivos de nossa Constituição Federal, no inciso IV do art. 3º, que transcrevo:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (…)

IV – promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. [grifei]

Para atingirmos um objetivo fundamental, precisamos desigualar, para no futuro termos uma sociedade igual. É o que diz aquela velha frase filosófica: “igualdade para os iguais, desigualdades para os desiguais, na medida em que eles se desigualam”. Está na hora de protegermos nossas mulheres e garantirmos um Brasil mais igual, menos diferente.

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Maldito Lucky Strike…

23/11/2008

Era um sábado normal, como todos os outros. Mas era normal para todo mundo, menos para mim. Eu ainda vivia uma fase de transição. Uma transição benéfica. Só não havia me habituado por completo ainda, me sentia fora do rumo a qual eu tinha me habituado. O dia estava frio, com um tímido sol querendo ora surgir, ora se esconder. Mas eu estava animado, com frio, sem frio, chuva, sol, para ir até o clube (Soges) e ver meus amigos jogar futebol pelo Barril Júnior. Cheguei lá cedo da tarde, meio perdido, sem nenhum conhecido para conversar, até que encontrei o Adrian.

Ficamos conversando, assistindo ao jogo. Aliás, metade do jogo, porque quando cheguei já estava no fim do primeiro tempo. O placar marcava 4 a 1 para o Barril, que, de forma desastrosa, deixou que o fraco time oposto encostasse no placar, terminando o jogo em 4 a 3. Pelo menos haviam ganho. Pensei que eu tivesse dado azar a eles, porque quando eu cheguei, tomaram dois gols. Mas pensei: “ainda bem que não vim mais cedo, porque se não teriam tomado uns cinco”.

Eu e o Adrian conversamos por um longo tempo, até ele sair com umas amigas, e eu fiquei porlá, meio zonzo, perdido. Mas eu estava em uma fase de “foda-se”, só queria levar a vida mais sossegado e sem estresse, sem ficar me incomodado com o passado, e muito menos vir a me preocupar no futuro. Só queria aproveitar um pouco do tempo que perdi na companhia dos amigos. E era isso que eu ia fazer naquele sábado que começava a ficar cada vez mais gelado.

Lembro que era a primeira vez que eu usava minha jaqueta verde, minha favorita. Paguei muito caro por ela, e tinha até pena de usá-la. Teria que ser usada em uma ocasião muito especial. Só que antes de sair de casa fui tomado por aquele tipo de pensamento salvador do mundo, do tipo: “todo dia, toda hora é uma ocasião especial”. Vesti a jaqueta, pus um perfume e “fui-me”. Meu pai me levou porque eu não me animava muito em sair sozinho de carro. Pelo menos com o do meu pai não. Foi uma fase de desentendimento entre mim e o Monza 89 do “velho”.

Pois bem. O Barril saiu de campo com a vitória, e isso era um bom motivo pra comemorar. E tratando-se de Barril, se comemora com cerveja e mais cerveja. Entre toda a gurizada, eu era o único (creio) que não jogava futebol. Já havia jogado com aquele pessoal, mas por causa de lesões nos dois joelhos – como se essa fosse a única causa, excluindo o fato de eu jogar mal pra caralho -, abandonei o bando e me dediquei a prática de ouvir música. Pelo menos nesse esporte que pratico o risco de me lesionar é bem menor. Por falar em música, estava eu, com meu mp4 nos ouvidos, durante grande parte do tempo. E isso fazia com que eu batesse no chão com meu All Star branco (meu favorito) o tempo todo, no ritmo da música. E a cerveja começou a rolar solta entre a galera. As fichas pras cervejas até hoje eu num sei certo de onde vieram. Talvez tenham sido pagas pelo Wilson, ou então pelo irmão do Edd. Não sei mesmo. Só sei que me ofereceram e eu não recusei. Bebia timidamente aquela gelada cerveja, porque fazia tempo que eu não bebia pra valer. E da forma tímida, fui passando pras fases seguintes, que nem sei se tem nome.

O meu grande amigo ali era o Roberth. Amigão mesmo, e fui lá na Soges para conversar com ele, e aproveitar o sábado com ele. E com ele, tomei muita cerveja aquele dia. As cervejas deveriam ser tomadas em conjunto, de forma amigável. Até porque eu nem sabia quem estava pagando. As fichas vinham eu não sei de onde, mas eu acompanhava o Roberth até a copa para pegar as cervejas. Tomávamos metade lá na copa, e voltávamos com a outra metade para dividir com o resto do pessoal. Coisa de pau no cu! Mais pau no cu era quando eu pagava alguma cerveja e não levava lá no pessoal para dividir, e pelo contrário, tomava com o Roberth, às escondidas. Nós estávamos tirando vantagem dos próprios amigos. Nem sei por que se faz isso. Mas naquele momento, já meio “alegrinho”, eu só queria era ficar podre de bêbado. Leia o resto deste post »